sábado, 7 de setembro de 2013

2 - Moisés

Moisés

2. Na lei moisaica, há duas partes distintas: a lei de Deus, promulgada no monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, decretada por Moisés. Uma é invariável; a outra, apropriada aos costumes e ao caráter do povo, se modifica com o tempo. A lei de Deus está formulada nos dez mandamentos seguintes:

  1. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei do Egito, da casa da servidão. Não tereis, diante de mim, outros deuses estrangeiros. – Não fareis imagem esculpida, nem figura alguma do que está em cima do céu, nem embaixo na Terra, nem do que quer que esteja nas águas sob a terra. Não os adorareis e não lhes prestareis culto soberano 1 .
  2. Não pronunciareis em vão o nome do Senhor, vosso Deus.
  3. Lembraivos de santificar o dia do sábado.
  4. Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará.
  5. Não mateis.
  6. Não cometais adultério.
  7. Não roubeis.
  8. Não presteis testemunho falso contra o vosso próximo.
  9. Não desejeis a mulher do vosso próximo.
  10. Não cobiceis a casa do vosso próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu asno, nem qualquer das coisas que lhe pertençam.

É de todos os tempos e de todos os países essa lei e tem, por isso mesmo, caráter divino. Todas as outras são leis que Moisés decretou, obrigado que se via a conter, pelo temor, um povo de seu natural turbulento e indisciplinado, no qual tinha ele de combater arraigados abusos e preconceitos, adquiridos durante a escravidão do Egito. Para imprimir autoridade às suas leis, houve de lhes atribuir origem divina, conforme o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos. A autoridade do homem precisava apoiarse na autoridade de Deus; mas, só a idéia de um Deus terrível podia impressionar criaturas ignorantes, em as quais ainda pouco desenvolvidos se encontravam o senso moral e o sentimento de uma justiça reta. É evidente que aquele que incluíra, entre os seus mandamentos, este: “Não matareis; não causareis dano ao vosso próximo”, não poderia contradizerse, fazendo da exterminação um dever. As leis moisaicas, propriamente ditas, revestiam, pois, um caráter essencialmente transitório.

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1 - Allan Kardec cita a parte mais importante do primeiro mandamento, e deixa de transcrever as seguintes frases: “... porque eu, o Senhor vosso Deus, sou Deus zeloso, que puno a iniqüidade dos pais nos filhos, na terceira e na quarta gerações daqueles que me aborrecem, e uso de misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.” (Êxodo, 20:5 e 6.)

Nas traduções feitas pelas Igrejas Católica e protestantes, essa parte do mandamento foi truncada para harmonizála com a doutrina da encarnação única da alma. Onde está “na terceira e na quarta gerações”, conforme a tradução Brasileira da Bíblia, a Vulgata Latina (in tertiam et quartam generationem), a tradução de Zamenhof (em la tria kaj kvara generacioj), mudaram o texto para “até à ter ceir a e quar ta ger ações”.

Esses textos truncados que aparecem na tradução da Igreja Anglicana, na Católica de Figueiredo, na Protestante de Almeida e outras, tornam monstruosa a justiça divina, pois que filhos, netos, bisnetos, tetranetos

inocentes teriam de ser castigados pelo pecado dos pais, avós, bisavós, tetravós. Foi uma infeliz tentativa

de acomodação da Lei à vida única. – A Editor a da FEB, 1947.

O texto certo que, por mercê de Deus, já está reproduzido pelas edições recentíssimas a que nos referimos – traduções Brasileira e de Zamenhof –, que conferem com S. Jerônimo, mostra que a Lei ensina veladamente a reencarnação e as expiações e provas. Na primeira e na segunda gerações, como contemporâneos de seus filhos e netos, o Espírito culpado ainda não reencarnou, mas, um pouco mais tarde – na terceira e quarta gerações – já ele voltou e recebe as conseqüências de suas faltas. Assim, o culpado mesmo, e não outrem, paga sua dívida.

Logo, tem se de excluir a 1ª e 2ª gerações e expressar “na” 3ª e 4ª, como realmente é o original.

Achamos conveniente acrescentar aqui esta nota, para facilitar a compreensão do estudioso que confronte a sua tradução da Bíblia com a citação do Mestre. – A Editor a da FEB, 1947.

Fonte: O Evangelho Segundo Espíritismo - Capítulo - I

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