domingo, 4 de abril de 2010

Fabiano de Cristo

Fabiano de Cristo nasceu em 8 de fevereiro de 1676, em Soengas, norte de Portugal. Conforme o costume católico de dar-se às crianças o nome do santo em cujo dia nascem, o menino recebeu, na pia batismal, o nome de João, porque, naquele dia, a Igreja celebrava a festa litúrgica de São João da Mata.


A infância de João Barbosa foi simples. Família pobre, cinco irmãs. Tomava conta do pequeno rebanho de ovelhas do pai. Trabalhava de sol a sol, dormia muito cedo, acordava com a aurora.

Aos domingos, o culto na igreja e o descanso quase religioso em casa, preparando as ferramentas para o dia seguinte.

Na pureza do campo e na simplicidade da natureza, aprendeu a docilidade e a meiguice próprias de um pastor, que mais tarde empregaria no trato com os homens.
Ninguém sabia ler na aldeia. Foi o padre quem lhe ensinou as primeiras letras e as primeiras contas.

João alcançou a adolescência, a idade dos sonhos e aspirações. Parece que despontou no rapaz o desejo de restabelecer a antiga nobreza dos antepassados. Mas não seria em Soengas que isso poderia acontecer.

Por isso, a cidade do Porto, cheia de vida, a três horas de caminho, atraiu sua atenção. Para lá se dirigiu e passou a trabalhar.O emprego de João era ligado ao movimento do cais. Um amigo de seu pai estava nos negócios, enviava linguiças, vinhos e conservas para as colônias portuguesas.

No final do século XVII, a novidade mais ambiciosa que os marinheiros traziam a Portugal era a descoberta abundante do ouro em Minas Gerais. Conseguiu dois sócios e com eles partiu de Portugal para os sonhos do Brasil.

Aportou João na cidade do Rio de Janeiro, mas fixou residência na Vila de Parati, porta de entrada para as minas. Tornou-se negociante da carreira das minas. Suas atividades estavam relacionadas ao comércio, importação e exportação, que ele conhecia bem, em função de suas experiências na cidade do Porto. Em poucos anos, João já estava senhor de pequena fortuna.

Com 28 anos de idade, fazia parte da Irmandade do Santíssimo Sacramento, Vinculara-se ao pároco da Paroquial Igreja da Vila de Parati. Muito devoto das almas do purgatório, conseguiu erguer a Irmandade da Boa Morte. Longe de cair como miserável cativo da avareza, João Barbosa era conhecido em Parati pela sua generosidade.

Na aldeia chamada Aparição, não longe de Parati, um sócio e companheiro seu no negócio, fora vítima de um assassinato. A notícia abalou profundamente a João, causando surpresa e grande comoção na sua já tão abalada alma. João Barbosa estava maduro e resoluto para a vida religiosa. Não era uma resolução momentânea que o movia a dar esse passo.

Livre de todos os bens terrenos, no dia 8 de novembro de 1704, João Barbosa apresentou-se à portaria do antigo Convento de São Bernardino de Sena, em Angra dos Reis. Foi admitido como noviço. No dia 12 de novembro de 1705, João Barbosa mudou o nome de João para Fabiano e o de Barbosa pelo de Cristo, passando a ser Frei Fabiano de Cristo.

No final do ano de 1705, foi transferido de Angra dos Reis para o Rio de Janeiro para ser o porteiro do Convento de Santo Antônio. Três ou quatro anos mais tarde, deixou a portaria do convento para desempenhar uma nova função, que consumiria os 38 anos restantes de sua vida - a de enfermeiro.

Embora não tivesse preparação especial para a função de enfermeiro, a caridade e o esforço pessoal substituíam as deficiências. No tratamento aos enfermos, se evidenciava sua caridade. Praticamente levava sua vida junto aos doentes, a tal ponto que nem sequer tinha um quarto próprio.

Por longo tempo, contentava-se em dormir em qualquer lugar da enfermaria, para que, dia e noite, pudesse estar à disposição dos doentes. Assim, pouco dormia.

Andava rezando na enfermaria com os pés descalços, alegando que, com as sandálias, acordaria os enfermos. Afirmava que era necessária a observância do silêncio. Por mais que procurasse ocultar, muitos testemunharam suas virtudes, exemplificadas na humildade, obediência e na dedicação.

Com o correr do tempo, o corpo de Frei Fabiano foi sentindo o peso da idade e dos sacrifícios, na forma de sofrimentos físicos que o crucificaram por mais ou menos 30 anos. A causa inicial desses sofrimentos foi uma erisipela, que causava inchação e cruciantes sofrimentos nas pernas, acentuadamente na esquerda, qualificada como mais que monstruosa. Na perna direita se lhe originou uma grande e horrorosa chaga, que vertia continuamente copioso pus. Ainda nas pernas, sofreu em seguida de outro incômodo não menos doloroso: um quisto.

Frei Fabiano atingira a casa dos 70 anos de idade. O mês de outubro de 1747 trouxe agravamento em seu estado de saúde. Desde o dia 14, Frei Fabiano já anunciava que partiria em três dias. Nesses três dias, Fabiano, na enfermaria, alenta ânimos desfalecidos. Pensa chagas abertas e sorri, em doce e terna alegria, na despedida aos doentes. Beija crianças. Afaga velhos esbatidos pela dor. Encoraja os que choram. Ampara os desesperançados.
Tal como ele próprio havia previsto, desencarna no dia 17 de outubro de 1747.

Na quarta-feira, dia 18 de outubro, desde o amanhecer até às dez horas da noite, a população da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro acorreu ao Convento de Santo Antônio, com exclamações de Vamos ver o Servo de Deus, Frei Fabiano.

Fonte: Boletim do Grupo Espírita Fabiano, de setembro/outubro 2009.

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