sábado, 31 de dezembro de 2011

Não Temos Tempo ou Temos Preguiça?

O Evangelho nos recomenda “espíritas amai-vos e instrui-vos”.

Não praticamos o “amai-vos’’ porque confundimos o Amor com o apego, a posse, a sensualidade, com o egoísmo e o orgulho; cometemos homicídios e suicídios em nome do amor etc.

Quanto ao “instrui-vos’’ a nossa má vontade é preponderante, alegamos muitas vezes falta de tempo, mas, passamos horas diante da televisão mudando de canal constantemente reclamando que não se tem nada para assistir, ao invés de fazermos a leitura de um bom livro. Alguns dizem que não leem porque não entendem. Outros só querem romances e muitos dizem que algumas leituras dão medo. Mas a Doutrina Espírita vem exatamente nos esclarecer para que
nos livremos das fantasias. Ler um informativo também está difícil. Ao alongarmos um pouco o assunto com exemplos para deixar mais claro o entendimento, o tema não é lido, dizem ser cansativo.  Quando é curto acha-se às vezes bonito, entretanto, não se entende o significado, então, como colocar em prática os ensinos cristãos? Nas reuniões de estudos alegam que o Espiritismo cobra demais, ou seja, passamos o tempo nas lamentações e reclamações esquecendo que
isso só aumenta nossos débitos, então é de se perguntar, o que nos restará dentro desse quadro ao desencarnarmos?

Deixaremos o início e o final de uma crônica do Irmão X de seu livro “Cartas e Crônicas”, lição 23, intitulada “A estaca zero”, para reflexão do assunto:

Denunciando aflitiva expectação, o crente recém-desencarnado dirigia-se ao anjo orientador da aduana celeste,  explicando:

— Guardei a maior intimidade com as obras de Allan Kardec  que, invariavelmente, mantive por mestre inatacável. Os livros da Codificação vigiavam-me a cabeceira. Devorei-lhes todas as considerações, apontamentos e ditados e jamais duvidei da sobrevivência...

O funcionário espiritual esclareceu, porém, imperturbável:
— Entretanto, o seu nome aqui não consta entre os credores de ascensão às esferas santificadas. Sou, portanto, constrangido a indicar-lhe o regresso à nossa antiga arena de purificação na Crosta da Terra.
— Entretanto, eu não fiz mal a ninguém...
— Vê-se claramente que o seu espírito é nobre e bem intencionado.
— Então, — indagou o crente, semi-exasperado — qual a minha posição de homem convicto? Que sou? Como estou depois de haver estudado exaustivamente e crido com tanto fervor e tanta sinceridade?

O anjo, triste talvez pela necessidade de ser franco elucidou, sem hesitar:
— A sua posição é invejável, comparada ao drama inquietante de muita gente. Demonstra uma consciência quitada com a Lei. Não tem compromissos com o mal e revela-se perfeitamente habilitado à excursão nos domínios do bem. Em se tratando, contudo, de ascensão para o Céu, observo-lhe o coração na estaca zero. Ninguém se eleva sem escada ou sem força. O meu amigo sabe muito. Agora, é preciso fazer...
E ante o sorriso reticencioso do funcionário celestial, o  interlocutor nada mais aduziu, entrando, ali mesmo, em  profundo silêncio.

Se temos preguiça de ler e de nos instruir, que não requer nem esforço físico e muitas vezes nem sair de casa, o que  nos restará na hora da Verdade?

Fonte: Cartas e Crônicas - Francisco Cândido Xavier, pelo  espírito Irmão X, Editora FEB, 12ª ed., 2007. - Tema Livre de "O Seareiro",  No 108 - Outubro 2010

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