sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Papel dos Profetas na Bíblia e no Culto da Igreja Primitiva

Esclarecimentos  dados  pelas  epístolas  de  Paulo  - Profetas  em  Israel  e  na  Igreja Cristã, e sibilas, oráculos e pitonisas, nos meios pagãos - João, o evangelista, e os Espíritos. Um dos problemas mais discutidos no mundo cristão, desde o aparecimento do Espiritismo, é  o  profetismo.  O  que era  o  profetismo  bíblico,  e  o  que era  por  sua  vez,  o  profetismo  apostólico?  Por  que,  na  Igreja  Primitiva,  ao lado  dos  vários  responsáveis  pelo movimento cristão, havia os profetas? E o que faziam esses profetas, do que estavam eles incumbidos? O  rev.  Robert  Hastings  Nichols,  em  suas  História  da  Igreja  Cristã,  publicada em  versão portuguesa pela Casa Editora Presbiteriana, lembra que podemos ter uma idéia das práticas  da Igreja Primitiva pelas epístolas de Paulo, "especialmente as enviadas aos Coríntios".

É precisamente o que dizem os estudiosos espíritas do assunto. No seu livro De cá e de  Lá,  publicado  nesta capital  há cerca  de  quinze anos,  pela  livraria  da  União  Federativa Espírita Paulista,  o  prof. Romeu do Amaral Camargo, ex-diácono  da l  Igreja Presbiteriana da  Capital,  estuda  o  problema com  base  nas  epístolas  de  Paulo,  especialmente  na  l Coríntios. Para o rev. Nichols, havia na Igreja Primitiva, dois tipos de culto, sendo um "o da oração" e outro o da refeição em comum, a chamada "Festa do Amor". Quanto ao primeiro, diz o rev. Nichols: "O culto era dirigido conforme o espírito os movia no momento. Faziam orações,  davam testemunho,  ministravam  certos  ensinos,  cantavam  salmos".  O  que  seriam esses  "certos  ensinos",  e como  seriam ministrados?  Noutro trecho,  o  rev.  Nichols levanta uma pontinha do véu: "O Novo Testamento fala de oficiais que se ocupavam do ministério da  pregação e  do ensino. São conhecidos como apóstolos,  profetas e mestres. O nome de apóstolo  não  era  restrito  aos  companheiros  de  Jesus,  mas  pertencia  também  a  outros pioneiros  do  Evangelho,  que  levavam  as  boas  novas  aos  novos  campos.  Os  profetas, mestres  e  doutores,  esclareciam  o  significado  dos  Evangelhos  às  igrejas.  Todos  esses exerciam  seus  ofícios,  não  pela  indicação  de  qualquer  autoridade,  mas  porque  revelavam estar habilitados para tais ofícios, pêlos dons do Espírito Santo".

Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, estudando a passagem referente à entrevista  de  Nicodemos  com  Jesus  acentua:  "O texto  primitivo  diz apenas  'da água e  do espírito', enquanto certas traduções substituíram Espírito por Espírito Santo, o que não é a mesma coisa.  Este  ponto  capital  sobressai  dos  primeiros  comentários  feitos sobre  o Evangelho,  o  que  um  dia  será analisado  sem  equívoco  possível".  Kardec cita ainda a tradução clássica de Osterwald, conforme o texto primitivo que diz: "Quem não renascer da água e do espírito".

A  expressão  Espírito  Santo,  que  poderia,  pois,  levar  confusões  à compreensão  do texto, deve ser substituída por Espírito, conforme o original do texto grego primitivo, e tudo se esclarecerá. Os dons do Espírito, dons que podem ser movidos no profeta por um espírito que  seja  santo ou  não,  eram  os  elementos  dominantes  da  Igreja  Primitiva.  E tanto  assim, que  o  apóstolo  João,  também  evangelista,  advertiu  os  crentes,  na  sua  primeira epístola: "Caríssimos,  não  acrediteis  em  todo o  espírito,  mas  provai  se  os  espíritos são  de  Deus".  (Cap. 4, vers. l -3).

Estudando os caps. 12 e 14 da l Epístola aos Coríntios, de Paulo, o prof. Romeu do Amaral Camargo  declara:  "Esses  dois capítulos encerram matéria  de  grande importância e real  utilidade  para  os  assistentes  de  uma  sessão  espírita,  e  também indicam  claramente  o procedimento a  ser  observado  pêlos  que participam de uma sessão". E assim é,  realmente. De  tal maneira  o  apóstolo  Paulo  se  refere aos  dons  mediúnicos  dos  profetas,  que essa epístola  se torna  uma espécie  de  orientação  para  os trabalhos  práticos  de Espiritismo. Por ela  se  vê, com absoluta clareza, que o culto da oração incluía os ensinos proféticos, e que estes nada mais eram do que as manifestações mediúnicas.

O  Espiritismo  veio esclarecer  o  papel  dos  profetas  na antiguidade,  que era semelhante ao  das sibilas  e  pitonisas.  Espinosa  já  havia chegado  à conclusão,  nos seus famosos  estudos sobre as  Escrituras,  que  o  profetismo  não  era  um  privilégio  dos  judeus, mas uma qualidade do homem, existente em todo o mundo antigo, como em todo o mundo moderno.  Mas  aquilo  que  Espinosa  não  podia explicar  senão  como  efeito  da imaginação, comparando a inspiração dos profetas à dos poetas, o Espiritismo veio explicar mais tarde, no cumprimento das promessas do Consolador, restabelecendo as coisas em seu verdadeiro sentido.

O  profetismo  bíblico  e  o  apostólico  eram  simplesmente  o  uso  da  mediunidade, como  hoje  se  faz  nas sessões  espíritas.  E  assim  como,  na antiguidade,  havia  profetas  em Israel e na Igreja Primitiva, enquanto no mundo pagão existiam sibilas, pitonisas e oráculos, assim,  no  mundo  moderno,  há  médiuns  no  Espiritismo,  e  há  "cavalos",  "tremedores", "possessos"  e  "convulsionários",  em  organizações  religiosas  que  não  seguem  os  princípios do Consolador ou Espírito da Verdade. O velho problema do profetismo está perfeitamente esclarecido, graças aos estudos espíritas.

Fonte: Visão da Bíblia -J. Herculano Pires

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