quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Santos Dumont

Centenário do vôo do “14-Bis”, ocorrido em Paris, a 23 de outubro de 1906, que consagrou Alberto Santos Dumont (1873-1932) como Pai da Aviação

Ao registrar em Reformador o centenário do inolvidável e heróico feito de Santos Dumont, rememoramos um outro fato, também histórico, que relaciona a Federação Espírita Brasileira com o Pai da Aviação.

O ilustre brasileiro iniciara suas experiências com o balão “Brasil”, em 4 de julho de 1898; prosseguira, em setembro do mesmo ano, com o “Santos Dumont no l”; e, apesar de alguns revezes, continuou os experimentos com outros balões, até que, em 1901, construiu o dirigível no 6, com o qual contornou a Torre Eiffel, em Paris, no dia 19 de outubro de 1901, recebendo o prêmio Deutsch de la Meurthe, de 100.000 francos-ouro, Já consagrado mundialmente, Santos Dumont veio ao Brasil em 1903. Passando pelo Rio de Janeiro, a Federação Espírita Brasileira, por intermédio do seu presidente e de seu 1o secretário, entregou-lhe em mão um ofício datado de 12 de setembro de 1903, acompanhado do exemplar de Reformador de 1o de agosto de 1883, que publicara uma mensagem mediúnica profética, sobre seu futuro invento, do Espírito Estêvão Montgolfier* (1745- -1799), recebida em 30 de julho de 1876 (quando Dumont tinha 3 anos de idade), pelo médium Ernesto Castro, na cidade de Silveira (SP).

Para conhecimento dos prezados leitores, reproduzimos, a seguir, o ofício da FEB e a referida mensagem.

*Estevão (Étienne) e seu irmão Joseph construiramo aeróstato (balão de ar quente) em1783.

Ofício da FEB a Santos Dumont

“Rio, 12 de Setembro de 1903 Prezado e ilustre patrício Sr. Albert Santos-Dumont:

Consenti que ao coro de unânimes e afetuosas saudações, com que é justamente festejado o vosso regresso à pátria, se venha associar, por seus diretores abaixo assinados, a Federação Espírita Brasileira.

E não vos pareça estranho, pela índole de suas cogitações, este testemunho da nossa Sociedade que, ao contrário, por força mesmo dos seus ideais espiritualistas e humanitários, não se pode de modo algum desinteressar das conquistas do século e dos benefícios que à causa do progresso humano trazem os seus colaboradores, em cujas fileiras vos reservou a Providência tão assinalado posto.

Filhos desta abençoada terra da Santa Cruz, cujos gloriosos destinos nem sequer pode sonhar a descuidosa geração contemporânea, é com verdadeiro interesse que temos acompanhado o vosso esforço perseverante, na absorção do gênio e da predestinação, por dotar a Humanidade com os benefícios dessa conquista, com que, imortalizando-vos, enobreceis ao mesmo tempo a nossa Pátria.

Não enxergueis nestas expressões o intuito de vos estimular sentimentos de vaidade que, por fortuna vossa, parece serem alheios ao vosso espírito, revestido, ao contrário, da modéstia e do desinteresse característicos do verdadeiro missionário.

Se algum outro fim temos em vista, além das saudações fraternais que vos trazemos, é o de oferecer- -vos, como um documento que particularmente nos parece dever interessar-vos, o número do Reformador de 1 de Agosto de 1883, jornal que no ano seguinte começou a ser órgão da nossa Sociedade, tal se conservando até agora, como vereis da coleção deste ano, que igualmente vos oferecemos.

Ali se encontra uma comunicação espírita, ditada quando apenas contáveis 3 anos de idade, a qual, recebida por um médium que ainda vive, parece que se entende convosco.

Ignoramos quais sejam as vossas idéias acerca desta nova ciência que na gloriosa França, como por toda a parte, conta os mais esclarecidos e dedicados cultores. Sabemos, entretanto, pelas referências dos jornais a vosso respeito, que sois uma alma crente, alcandorando- vos nos transportes da prece, quando, nas arriscadas ascensões, expondes a vossa vida; e pois, sem nenhuma preocupação de proselitismo, temos unicamente em vista ministrar-vos esse esclarecimento acerca da providencialidade da vossa missão na Terra.

Ali se fala, é certo, de “pássaro mecânico”, superior aos balões, meros “exploradores e precursores da admirável invenção”. Não se entenderá, porém, com os balões cativos esta alusão? Assim nos parece, tanto mais que, não somente o vosso invento tem o valor da conquista definitiva do ar, como a data da comunicação confirma a anterioridade do vosso nascimento.

Guardai, pois, esse jornal, ao menos como uma afetuosa e espontânea recordação dos vossos irmãos espíritas do Brasil, e permiti-nos que, abraçando-vos, vos exortemos a que, de par com a simplicidade e modéstia que vos distingue, e tão bem vai nas almas crentes, conserveis sempre em Deus essa confiança que é o segredo dos vossos triunfos e serenidade de ânimo, e será o da vossa glorificação, não aos olhos dos homens, o que bem pouco vale, mas aos desse mesmo Deus, que é a nossa força, o nosso amparo e a razão única da nossa própria existência.

Se vos agradar continuardes a receber a nossa modesta folha, enviai-nos o vosso endereço em Paris.

E crede sempre nos cordiais e fraternos sentimentos dos vossos sinceros irmãos em Jesus.

Leopoldo Cirne, presidente; Geminiano Brazil de O. Goes, vice-presidente; Albino Gonçalves Teixeira, 1o secretário; Nilo Fortes, 2o secretário; Ulysses de Mendonça, 3o secretário; Pedro Richard, tesoureiro.”

Mensagem Mediúnica


Em 30 de julho de 1876, em Silveiras (SP), o médium Ernesto Castro recebia espontâneamente a seguinte mensagem do Espírito Estêvão Montgolfier: “Vencer o espaço com a velocidade de uma bala de artilharia, em um motor que sirva para conduzir o homem, eis o grande problema que será resolvido dentro de pouco tempo. Essa máquina poderosa de condução não há de ser uma utopia, não.O missionário, que traz esse aperfeiçoamento à Terra, já se acha entre vós. O progresso da viação aérea, que tantos prosélitos tem achado e tantas vítimas há feito, não está, portanto, longe de realizar-se.

O aperfeiçoamento de qualquer ciência depende do tempo e do estado da Humanidade para recebê- lo.

A locomotiva, esse gigante que avassala os desertos e vence as distâncias, será um insignificante invento ante o pássaro colossal, que, qual condor dos Andes, percorrerá o espaço, conduzindo em suas soberbas asas os homens de vários continentes.

Os balões, meros exploradores e precursores da admirável invenção, nada, pois, serão perante o belo e portentoso pássaro mecânico. Esse Deus de bondade e de misericórdia, que nada concede antes da hora marcada, deixa primeiramente que seus filhos trabalhem em procura da sabedoria, e depois que eles se têm esforçado em descobrir a Verdade, aí então lhes envia um raio de sua divina luz.

Já vêem, ó mortais, que a navegação aérea não será um sonho, não, mas sim uma brilhante realidade.

O tempo, que vem próximo, vos dará o conhecimento desse estupendo motor.

Brasil, tu que foste o berço dessa grande descoberta, serás em breve o país escolhido para demonstrar a força dessa grandiosa máquina aérea. Eis o prognóstico que vos dou, ó brasileiros!”

Fonte: Reformador de setembro de 1956, p. 12(200)-13(201) – Artigo “A Predestinação de Santos Dumont”, de Almerindo Martins de Castro.
Fonte: Idem, ibidem. p. 9(197).

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