quinta-feira, 16 de junho de 2011

Filatelia Allan Kardec

SELOS POSTAIS SOBRE ESPIRITISMO

O ESPIRITISMO, SEGUNDO A FILATELIA BRASILEIRA
Allan Kardec (03/10/1804 – 31/03/1869)




18/04/1957 – “Selo da Codificação” – 1º Selo Postal Espírita no mundo!

Fotocópia colorida de parte da página 81 da revista “O Cruzeiro”; note que a imagem do selo na matéria ainda não tinha impresso o seu respectivo valor facial, portanto trata-se da prova do selo.

Do lado direito: comemorando o 1º CENTENÁRIO DA CODIFICAÇÃO DO ESPIRITISMO, a Empresa dos Correios e Telégrafos publicou o primeiro selo com motivo espírita do mundo, o qual presta homenagem ao primeiro livro, “O Livro dos Espíritos”, publicado cem anos antes por Allan Kardec.

A revista “O Cruzeiro” datada de 05/01/1957, antecedeu mais de três meses (104 dias) ao lançamento do selo. Ela apresentava em primeira mão, tanto na edição portuguesa como na castelhana, na página 81 em sua seção “Filatelia”, o desenho prova do primeiro selo espírita, através da matéria de Armando Paiva (transcrita abaixo):

“Sêlo Comemorativo do 1.º Centenário da Codificação do Espiritismo – A revista O CRUZEIRO, em primeira mão, apresenta o desenho do sêlo comemorativo da Codificação do Espiritismo. Inúmeros selos comemorativos católicos e alguns protestantes já foram emitidos pelo D.C.T., e em princípios de 1957 teremos um sêlo espírita. É essa, realmente, mais uma demonstração inequívoca do alto espírito de liberdade e igualdade religiosa de que se orgulha o Brasil.

Devidamente aprovado pelo D.C.T., êste sêlo terá a taxa de Cr$ 2,50 e a tiragem de 5 milhões. Na forma do regulamento postal o D.C.T. solicitou ao Sr. Ministro da Viação e Obras Públicas a necessária autorização para o sêlo em aprêço, o que se espera seja concedida dentro em breve. Em entrevista exclusiva, a Federação Espírita Brasileira, entidade máxima do espiritismo no Brasil, informou que grandes festividades comemorativas da passagem do 1º. Centenário do Espiritismo se realizarão todo o território brasileiro, em abril próximo, estendendo-se às instituições congêneres de todo o mundo.

O motivo principal do sêlo é o retrato de Allan Kardec, fundador do Espiritismo. Nasceu em Lion, no ano de 1804, bacharelou-se em Ciências e Letras e formou-se em Medicina. Aos cinquenta anos iniciou seus estudos acerca dos fenômenos espíritas. Codificou e publicou O Livro dos Espíritos, cuja primeira edição apareceu em abril de 1857.”


Então, o primeiro selo postal espírita emitido no mundo é do Brasil, graças à iniciativa e ao exaustivo trabalho da Federação Espírita Brasileira (FEB), na presidência de Antônio Wantuil de Freitas. Longo requerimento-memorial, dirigido pela FEB às autoridades competentes, levou, após várias démarches, à aprovação do selo em pauta, popularmente conhecido como o “Selo da Codificação”.

Vários e importantes órgãos do Espiritismo e da imprensa leiga do Brasil e do exterior referiram-se ao auspicioso acontecimento, conforme se pode ler na coleção do “Reformador” de 1957 (Ano 75, Nº4, pgs. 26 a 32). De todos os lados, os meios filatélicos reagiram favoravelmente à emissão, inclusive a revista nova-iorquina “Stamps”, o órgão filatélico de maior tiragem do mundo.

Foi este, na verdade, o selo comemorativo mais “badalado” no Brasil, e sua repercussão foi de tal monta que a “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” registrou o acontecimento no vol. 39 (Apêncide), ao fim do artigo KARDEC (Allan).

Dois dias depois do lançamento do selo postal, em 20/04/1957, é publicado no Brasil, pela “Sociedade Pró-Livro Espírita em Braile”, o primeiro livro espírita grafado em
Braile, “O que é o Espiritismo” – publicado por Allan Kardec em 1859.

Também em 1957, Canuto Abreu publicou edição bilíngue da primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, sob o título O Primeiro Livro dos Espíritos, São Paulo, Companhia Editora Ismael...

Nota: a primeira tradução de “O Livro dos Espíritos” no Brasil foi realizada por Joaquim Carlos Travassos (Fortúnio), em 15/01/1875. Na mesma data, foi publicada a primeira notícia (que se conhece) de “O Livro dos Espíritos”, no “Jornal do Comércio”, Rio de Janeiro.


18/04/1964 – “Selo do Evangelho”

O selo CENTENÁRIO DA CODIFICAÇÃO ESPÍRITA POR ALLAN KARDEC presta homenagem ao livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, publicado por Allan Kardec.

Em 14/06/1963, Antônio Wantuil de Freitas, Presidente da FEB, dava entrada nos Correios de um bem justificado requerimento, solicitando a emissão do segundo selo postal espírita, a que mais tarde chamariam simplesmente o “Selo do Evangelho”. Como o anterior, este segundo selo recebeu geral e simpática acolhida da grande imprensa diária brasileira, bem assim dos filatelistas e dos espíritas de todo o mundo.



31/03/1969 – “Selo da Desencarnação”

O selo CENTENÁRIO DE MORTE DE ALLAN KARDEC que mostra a efígie do espírita e a sua tumba no plano de fundo, presta homenagem ao falecimento de Allan Kardec, ocorrido cem anos antes, em Paris – França. Do lado esquerdo da tela, cartão-postal “Tombeaux Historiques – Père-Lachaise, Allan Kardec (Rivail dit), Fondateur de la Philosophie Spirite”. Busto de Capellaro (44 div). Publicado por J. H. (Edition J. Hauser n 4).

Duas clássicas variedades, o selo sem a cor verde (RHM: C-631A) e o selo sem o sépia ou ocre (RHM: C-631B).


Em 1869, por ocasião do centenário do desencarne de Kardec, novamente o Departamento de Correios do Ministério das Comunicações, através de seu Diretor Geral, General Rubens Rosado Teixeira, adere aos festejos espíritas editando o selo e o carimbo relativos à data da desencarnação do Codificador. É o próprio Correio que também divulga este texto:

Allan Kardec é o pseudônimo do educador francês Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, conceituado mestre da pedagogia pestalozziana. Descendente de antiga e tradicional família lionesa, que se distinguiu na magistratura e na educação, Rivail nasceu em 1804, sendo educado sob a direção do célebre pedagogista Henrique Pestalozzi, no famoso Instituto de Yverdon (Suíça).

Tornando-se um dos mais fervorosos discípulos de Pestalozzi, empenhou-se em divulgar na França os novos métodos educacionais. Em Paris, fundou e dirigiu diversos estabelecimentos de ensino, onde os alunos recebiam dele o tratamento de “meus amigos”. Organizou, ainda, cursos gratuitos de várias ciências, e foi preparador dos cursos que ele e o ilustre Prof. Lévi-Alvarès davam a alunos de ambos os sexos no Faubourg de Saint-Germain.

Publicou, desde os 20 anos de idade, mais de uma vintena de obras didáticas, algumas adotadas pela Universidade de França, e que atingiram sucessivas reedições. Várias memórias suas, sobre a reforma e organização do ensino, mereceram a atenção dos Poderes Públicos da França, e uma delas, de 1831, foi premiada com medalha de ouro pela Academia Real das Ciências, de Arrás.

Chefe da Instituição da Academia de Paris, poliglota, linguista, tradutor, conferencista eloquente, douto escritor, o Prof. Rivail era membro de mais de uma dezena de Sociedades e Institutos culturais de sua Pátria, com o seu nome inscrito em conhecidas obras biobibliográficas da época.

Por volta de 1854, sua atenção foi atraída para os fenômenos das chamadas “mesas girantes e falantes”. Sem ideias preconcebidas, com espírito científico, observou, experimentou e concluiu, erigindo as bases do edifício doutrinário do Espiritismo.

De 1857 em diante, usou o pseudônimo de Allan Kardec, com o qual publicou dezesseis obras espíritas, das quais se destacam, por sua maior importância: “O Livro dos Espíritos”, “O que é o Espiritismo”, “O Livro dos Médiuns”, “O Evangelho segundo o Espiritismo”, “O Céu e o Inferno” e “A Gênese”, muitas delas editadas em cerca de quinze idiomas.

A obra espírita de Allan Kardec, considerada pelo sábio Prof. Charles Richet “uma teoria grandiosa e homogênea, e também admirável feixe de fatos”, espalhou-se por várias partes do Mundo, conquistando milhões de seguidores, que desenvolvem, máxime no Brasil, elogiável trabalho no campo da assistência social e moral.

Cognominado “o bom-senso encarnado” pelo astrônomo Camilo Flammarion, Allan Kardec tem o seu nome inserido em grandes Dicionários e Enciclopédias, inclusive brasileiros e luso-brasileiros. Falecido aos 31/03/1869, em Paris, seus despojos repousam no Cemitério do Père-Lachaise, sob um monumento dolmênico que se tornou, segundo a imprensa leiga de várias nações, num dos sepulcros mais visitados pelos turistas.

Consoante o lema Kardequiano: Trabalho – Solidariedade – Tolerância, o Espiritsimo vem empenhando, ao lado das demais religiões, redobrados esforços na construção de um mundo melhor. À vista desses motivos, o Departamento dos Correios e Telégrafos resolveu associar-se às celebrações do 1º Centenário de Morte de Allan Kardec, lançando esta emissão comemorativa.

A venda do selo e a aplicação de carimbos comemorativos foram realizadas em balcões postais instalados na FEB (Rio de Janeiro), assim como na Federação Espírita do Estado de São Paulo... O selo foi uma petição ao Departamento de Correios e Telégrafos, assinada pelo Presidente da FEB, em 31/03/1968.

Allan Kardec faleceu em Paris, em 31/03/1869, aos 64 anos, em decorrência da ruptura de um aneurisma. Seu corpo está sepultado no cemitério “Père Lachaise”, na capital francesa (o lado direito do selo ilustra seu túmulo). Em seu túmulo, uma inscrição resume a filosofia espírita: “Naitre Mourir Renaitre Encore et Procresser Sans Cesse Telle est La Loi” (Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre. Tal é a lei).

Busto em bronze por Capellaro (1827-1901) no túmulo de Kardec, Cemitério do Perre-Lachaise, Paris – França. Comprado por Napoleão em 1803, o terreno pertencia ao Père de la Chaise, confessor de Luís XIV. Hoje, estão enterrados no mesmo cemitério grandes nomes como Honoré de Balzac, Frédéric Chopin, entre outros. Sobre o êxito total no lançamento do selo sobre a morte de Kardec, a revista “Reformador” de 1969 (p.93), trouxe ampla reportagem.



26/07/1969 – “Selo da Imprensa Espírita”
O selo PRIMEIRO CENTENÁRIO DA IMPRENSA ESPÍRITA NO BRASIL presta homenagem ao baiano Luís Olímpio Teles de Menezes – fundador do primeiro jornal espírita brasileiro, em 1869, na cidade de Salvador: “O Eco de Além-Túmulo”, originalmente intitulado “O ÉCHO D'ALÉM-TÚMULO”.



“Vários layouts do selo foram ideados pelo ilustre artista Sr. Bernardino da Silva Lancetta. Apreciados em janeiro de 1968, a escolha recaiu naquele que, pela simplicidade e nobreza da concepção, melhor representava o motivo em pauta, ou seja, os 100 anos da imprensa espírita em nossa Pátria.

O Sr. Bernardino Lancetta procedeu, em seguida, à execução definitiva do desenho do selo, em duas cores, agradando a quantos viram esse admirável trabalho de arte. A longa e bem documentada petição, que seria dirigida ao antigo Departamento dos Correios e Telégrafos, foram juntados os projetos dos desenhos do selo e do carimbo comemorativo, bem assim suas reduções fotográficas. E precisamente no dia 18/04/1968, todo esse processo dava entrada no D.T.C., sendo protocolado sob n.º 19.226/68.

Na primeira reunião da Comissão Filatélica do D.T.C., em outubro de 1968, ficou resolvido que o nosso processo seria estudado no próximo expediente. De fato, na segunda reunião, aos 20 de novembro, o selo do Centenário da Imprensa Espírita no Brasil foi submetido a julgamento, sendo considerado procedente a sua emissão.

Na concorridíssima e decisiva assembleia dos membros da ilustre Comissão Filatélica, reunida em 5/12/1968, ficou ratificada, unanimemente, após animados debates, a inclusão do selo do Centenário da Imprensa Espírita na programação dos selos comemorativos para o exercício de 1969.

A Seção Filatélica do D.T.C., dirigida pela Sra. Iracema Dantas de Carvalho, distribuiu, posteriormente, a todos os meios filatélicos do País, duas ou três circulares referentes àquela programação, declarando, ainda, que o Exmo. Sr. Ministro das Comunicações, Prof. Carlos Furtado de Simas, a aprovara pela portaria n.º 1466, de 18/12/1968 (Diário Oficial de 31.12.68).

Estava assim referendada a emissão do selo comemorativo do Centenário da Imprensa Espírita no Brasil, em conformidade com a decisão da respeitável Comissão Filatélica.” (Texto extraído da Revista Reformador, de julho/1969 – FEB.)

O lançamento foi prestigiado por conceituados órgãos da imprensa falada e escrita, o que redundou em uma venda maciça de selos, conforme se pode ler nos meses de agosto e setembro do “Reformador” de 1969.

“O Espírita Mineiro”, órgão da União Espírita Mineira, soube bem compreender o alcance dessa realização, deixando à meditação dos espíritas este pronunciamento:

“O selo é um atestado do que podem realizar os espíritas quando integrados de fato na obra de sua unificação. Só o esforço dirigido, a obra disciplinada, a convergência das ideias em torno de anseios definidos poderão construir o edifício concreto da Terceira Revelação.


A Federação Espírita Brasileira soube plantar, em meio aos inúmeros obstáculos, a afirmação serena do seu valor, exemplo claro de sua destinção como condutora de um movimento religioso que lançará na Terra as sementes de uma nova Civilização.”

Nota: E assim, dava início a Imprensa Espírita Brasileira, pelo prof. Luiz Olímpio Teles de Menezes, em julho de 1869. A Imprensa Espírita Mundial começou anteriormente, com o lançamento da Revista Espírita, em 1º de janeiro de 1858.



03/10/2004 – “Selo do Bicentenário Natalício”


O selo BICENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE ALLAN KARDEC presta homenagem a encarnação (vinda ao mundo) de Allan Kardec, ocorrida duzentos anos antes, em Lyon – França. Do lado esquerdo da tela, cartão-postal alusivo ao centenário de Allan Kardec (03/10/1804 – 03/10/1904), fundador da Doutrina Espírita. Publicado pela livraria “Librairie Leymarie”, em Paris – França.



Este selo apresenta, a logomarca internacionalmente utilizada nas comemorações do Bicentenário, a qual focaliza um busto em cobre, localizado no túmulo de Kardec, e a cepa da videira, elemento presente em sua obra, cuja nobreza é representada pela faixa amarela dourada que contorna a efígie. À esquerda, e na parte inferior, as cores verde e amarelo, tendo sobreposta a assinatura de Allan Kardec, simbolizam o Brasil, onde o Espiritismo criou as mais profundas raízes.

Hippolyte Léon Denizard Rivail nasceu na
França, em 3/10/1804, na rua Sale, 76, em Lyon, a segunda maior cidade francesa depois de Paris. Estudou em Yverdon, na Suíça
, com o célebre Johann Heinrich Pestalozzi, de quem se tornou discípulo e colaborador. O lema “Trabalho, Solidariedade e Tolerância” foi a bandeira que conduziu sua vida.

Às 16 horas do dia 5 de outubro, se realizou no
4º Congresso Espírita Mundial
, na França, o ato simbólico de lançamento do selo emitido pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos em homenagem a Allan Kardec. O Vice-Presidente da Federação Espírita Brasileira, Altivo Ferreira, presidiu a solenidade. Além do selo, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos criou um carimbo especial   do 4º Congresso Espírita Mundial.

A solenidade incluiu a obliteração do selo pelo representante da Embaixada do Brasil na França, Primeiro Secretário Fernando Igreja; pelo Representante de La Poste (a empresa postal francesa), Pascal Bladimiers; pelo Secretário Geral do Conselho Espírita Internacional – CEI, Nestor João Masotti; pelo Presidente da União Espírita Francesa e Francofônica, Roger Perez, e pelo médium e conferencista Divaldo Pereira Franco.

O lançamento oficial desse Selo Comemorativo foi realizado simultaneamente em Brasília (11 horas – hora local), também pelos Correios do Brasil. Realizou-se, desta forma, um lançamento bi-nacional do Selo.

Em Brasília, a solenidade ocorreu no Auditório da Universidade Correios, na Avenida L4 – Norte, em Brasília (DF), com a presença do Presidente da ECT, João Henrique de Almeida; e da Deputada Federal, Raquel Figueiredo (GO), quem intermediou junto ao Governo Federal o pedido da Federação Espírita Brasileira para a emissão do selo. Mas o selo em homenagem a Kardec foi disponibilizado para compra nas agências dos Correios de todo o País desde o dia 3 de outubro, data de nascimento do Codificador do Espiritismo.

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