sábado, 7 de maio de 2011

O Livro dos Médiuns - Manifestações espíritas

“Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil.” – Paulo. (I Coríntios, 12:7.)

Os Espíritos desencarnados manifestam-se no plano físico por meio dos médiuns, indivíduos que lhes servem de intermediários:

Médium é toda pessoa que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos. Essa faculdade é inerente ao homem e, por conseguinte, não constitui um privilégio exclusivo. [...] Pode-se, pois, dizer que todos são mais ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa qualificação só se aplica àqueles em quem a faculdade se mostra caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva.


Tal organização sensitiva refere- se à predisposição orgânica dos médiuns que, por meio de certos órgãos do corpo físico, conhecidos como “canais mediúnicos” (mãos, garganta, olhos, ouvidos etc.), transmitem comunicações dos Espíritos, por possuírem “uma aptidão especial para os fenômenos desta ou daquela ordem, de modo que há tantas variedades quantas são as espécies de manifestações”.

O médium não é uma máquina, mas um ser pensante e inteligente, que interpreta ideias que lhe chegam ao mundo mental como, a propósito, esclarecem os orientadores da Codificação:

O Espírito do médium é o intérprete porque está ligado ao corpo que serve para falar e por ser necessária uma cadeia entre vós e os Espíritos que se comunicam, como é preciso um fio elétrico para transmitir uma notícia a grande distância, desde que haja, na extremidade do fio, uma pessoa inteligente que a receba e transmita.


Por este fato, considera-se que está “a mente na base de todas as manifestações mediúnicas, quaisquer que sejam os característicos em que se expressem”. Assim, a interpretação de uma mensagem qualquer, mediúnica ou não, requer complexo envolvimento de estruturas mentais, sobretudo quando ocorrem sintonias e percepções extrassensoriais, comuns à prática mediúnica.

Por outro lado, como o comunicador e o comunicante estão em diferentes planos, o espiritual e o físico, o intercâmbio mental é mediado e modulado pelo perispírito de ambos:

[O perispírito] é o intermediário de todas as sensações que o Espírito percebe e pelo qual transmite sua vontade ao exterior e atua sobre os órgãos do corpo. Para nos servirmos de uma comparação material, diremos que é o fio elétrico condutor, que serve para a recepção e a transmissão do pensamento.


O perispírito desempenha, também, “grande papel na economia orgânica e que ainda não se leva muito em conta nos fenômenos fisiológicos e patológicos”, como nas obsessões.

Podemos resumir a manifestação dos Espíritos pelos seguintes passos:

• O desencarnado aproxima-se do médium, envolve-o em seus fluidos, atua em sua mente e no seu perispírito, revelando-lhe a intenção de manifestar-se – ação denominada “vontade-apelo”
por André Luiz.

• O médium capta e aceita a vontade/ideias do comunicante espiritual, caracterizando a “vontade-resposta”.


• O intercâmbio mediúnico é, então, estabelecido dentro de um circuito, que é mantido, de um lado, pela contínua atuação do comunicante na mente e no perispírito do medianeiro, e por outro, pela concentração e sintonia do médium que capta e transmite ideias, emoções e sentimentos do Espírito.

Durante as manifestações espíritas o médium entra em um estado de alteração da consciência, ou transe, de diferentes gradações: superficial, parcial ou profundo.

Sendo o médium um intérprete, a mensagem que veicula traz o “colorido” das suas próprias ideias, fato característico
da passividade mediúnica. Contudo, ele “é passivo quando não mistura suas próprias ideias com as do Espírito que se comunica”.
Quando não há boa passividade, o médium interfere na mensagem mais do que se espera como razoável:

[...] pode alterar as respostas e assimilá-las às suas próprias ideias e inclinações. Porém, não exerce influência sobre os Espíritos comunicantes, autores das respostas. É apenas um mau intérprete.


No que diz respeito aos tipos de manifestações espíritas, Allan Kardec as classifica segundo os efeitos: físicos ou intelectuais (inteligentes).

• “Dá-se o nome de manifestações físicas às que se traduzem por efeitos sensíveis, tais como ruídos, movimentos e deslocamento de corpos sólidos. [...]”.


Este tipo abrange também efeitos mais elaborados: o transporte e a materialização de objetos e/ou de Espíritos; curas espirituais; transfusões fluídicas pelo passe; manifestações de voz e escrita direta, respectivamente, pneumatofonia e pneumatografia etc.

• “Para uma manifestação ser inteligente, não é preciso que seja eloquente, espirituosa ou sábia. Basta que prove ser um ato livre e voluntário, exprimindo uma intenção ou correspondendo a um pensamento. [...]”
As manifestações inteligentes envolvem significativa elaboração mental e intelectual. Os principais médiuns são os intuitivos e de inspiração; os de psicofonia e psicografia; os videntes e/ou audientes. Entre eles há, porém, infinita variedade de aptidões (poetas, músicos, historiadores, psicômetras etc.).

Quanto à natureza das manifestações espíritas, elas são classificadas em:

a) Grosseiras: “são as que [...] ferem o decoro. Só podem provir de Espíritos de baixa condição, ainda cobertos de todas as impurezas da matéria [...]”.


b) Frívolas: “emanam de Espíritos levianos, zombeteiros, ou brincalhões, mais maliciosos do que maus, e que não ligam a menor importância ao que dizem”.

c) Sérias: “são dignas de atenção quanto ao assunto e elevadas quanto à forma. [...] Nem todos os Espíritos sérios são igualmente esclarecidos; há muitas coisas que eles ignoram e sobre as quais podem enganar-se de boa-fé”.

d) Instrutivas: “são comunicações sérias que têm como principal objetivo um ensinamento qualquer, dado pelos Espíritos, sobre as ciências, a moral, a filosofia etc. São mais ou menos profundas, conforme o grau de elevação e de desmaterialização do Espírito”.

A natureza das manifestações espíritas resulta “da variedade infinita que apresentam os Espíritos [...] sob o duplo aspecto da inteligência e da moralidade”, portanto, “a se refletirem na elevação ou na baixeza de suas ideias, de seu saber e de sua ignorância, de seus vícios e de suas virtudes”.

Por último, há dois pontos relacionados às manifestações mediúnicas dos Espíritos que foram destacadas por Kardec, que consideramos úteis às nossas reflexões:

Todos os dias a experiência nos traz a confirmação de que as dificuldades e os desenganos encontrados na prática do Espiritismo resultam da ignorância dos princípios desta ciência [...].


A ignorância e a leviandade de certos médiuns têm gerado mais prejuízos do que se pensa na opinião de muita gente.

Fonte: Reformador: Ano 129 • Nº 2. 185 • Abril 2011

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