terça-feira, 22 de março de 2011

Zacarias

Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita - setembro/2004

O evangelista Lucas narra que durante o reinado de Herodes (nomeado pelo Senado em 40 a.C., que tomou Jerusalém em 37 a.C. e morreu no ano 4 antes da era cristã), houve um sacerdote chamado Zacarias, da família de Abias.

A família Abias era a 8ª entre as 24 sacerdotais que funcionavam no Templo de Jerusalém. A cada família cabia uma semana de ministério sacerdotal e por sorteio, o trabalho que diariamente deveria executar cada um dos sacerdotes.

Todos os dias, ao nascer e ao pôr do sol se repetia a cerimônia em que o sacerdote sorteado oferecia o sacrifício do incenso. Era tarefa de tal forma honrosa que era concedida uma vez por semana, somente, a cada sacerdote.

Quando a coluna de fumaça subia, soavam as trombetas festivamente e o povo, do lado de fora, nos átrios do Templo, se prostrava com o rosto em terra, em reverência.

Zacarias, cujo nome significa "lembrança ou recordação de Yaveh", vivia nas montanhas da Judéia. Tinha por esposa Isabel (em hebraico Elisheba, a adoradora de Deus ou obra de Yaveh) que o evangelista informa ser descendente de Arão.

Naturalmente, trata-se de uma alegoria, pois que se na atualidade, com todos os registros, raramente se conhece os ascendentes além da terceira geração (pais, avós, bisavós), imagine-se àquela época, ter-se a informação de 1.500 anos antes, tempo em que viveu Arão, "o iluminado".

Em idade avançada, continua Lucas, Zacarias não tinha descendentes e a esterilidade era atribuída à sua mulher. Homem justo, obediente aos mandamentos e preceitos do Senhor, entristecia-o a falta de filhos, mesmo porque, aos olhos daquele povo, o fato era tido como sinal de que a união não fora abençoada pela divindade.

Certo dia, coube a Zacarias o sacrifício da manhã, no Templo. Estava sozinho, ao pé do altar. Deitava sobre o braseiro o incenso e, enquanto subia a fumaça, orava.

Tudo era silêncio e sua alma parecia alçar-se, exatamente como a fumaça do braseiro. De repente, do lado nobre do altar, o direito, "que ficava na direção sul, onde estava o candelabro de sete velas, símbolo místico da luz", apareceu um vulto aureolado de vivos fulgores.

Se Zacarias o viu pela vidência mediúnica ou se o mensageiro espiritual se materializou, fazendo-se desta forma, visível, não se sabe.

Estremece o sacerdote, mas o espírito o tranqüiliza, transmitindo-lhe o recado de que será por sinais que lhe indagarão qual deverá ser o nome do menino.

O povo se inquieta do lado de fora. Zacarias se demora em demasia no cerimonial. Finalmente, quando sai, não profere as palavras ritualísticas habituais. Interpretam as pessoas por seus gestos, que ele tivera uma visão.

Ao terminar as suas funções sacerdotais, Zacarias se recolhe à sua residência, dando-se a concepção de Isabel, na seqüência.

Chegado o tempo de dar à luz, narra o evangelista Lucas que Isabel teve um filho e, ao oitavo dia, quando o vieram circuncidar, como ela afirmasse que se deveria chamar João, perguntaram ao pai, que escreveu em uma tabuinha: "João é seu nome".

Naquele momento, ele recomeçou a falar. Cheio de um espírito santo, ele agradece ao Altíssimo pela misericórdia e, depois, de forma resumida, repete as palavras dos profetas Malaquias e Isaías, que se referem àquele que aplanaria os caminhos de Yaveh.

A partir de então, enquanto o menino cresce e se torna adulto, nada mais se fala do sacerdote Zacarias.

Bibliografia:

01. PASTORINO, C. Torres. Zacarias e Isabel. In:___. Sabedoria do evangelho. Rio de Janeiro: SABEDORIA, 1964. v. 1.
02. ______. Predição do nascimento de João. Op. cit.
03. ______. Nascimento de João. Op. cit.
04. ______. O cântico de Zacarias. Op. cit.
05. ROHDEN, Huberto. Estrela d'Alva. In:___. Jesus nazareno. 6.ed. São Paulo: União Cultural. v. 1, cap. 1.
06. SALGADO, Plínio. Zacarias e Isabel. In:___. Vida de Jesus. 21. ed. São Paulo: VOZ DO OESTE, 1978. pt. 1, cap. 4.
07. VAN DER OSTEN, A . José. In:___. Dicionário enciclopédico da bíblia. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1985, verbete Zacarias.

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