quarta-feira, 9 de março de 2011

Willian Eller Channing

"Qual a instituição humana, ou mesmo divina, que não encontrou obstáculos a vencer, cismas contra que lutar? Se apenas tivésseis uma existência triste e lânguida, ninguém vos atacaria, sabendo perfeitamente que havíeis de sucumbir de um momento para outro. Mas, como a vossa vitalidade é forte e ativa, como a árvore espírita tem fortes raízes, admitem que ela poderá viver longo tempo e tentam golpeá-la a machado. Que conseguirão esses invejosos? Quando muito, deceparão alguns galhos, que renascerão com seiva nova e serão mais robustos do que nunca."

Assim se expressa, em O Livro dos Médiuns, cap. XXXI, dissertação de nº 7, o espírito Channing, bem traduzindo o que foi em encarnação como pastor nos Estados Unidos. Convocando os espíritas à luta, recordava, com certeza, as próprias que enfrentara a seu tempo, em nome do estabelecimento das verdades espirituais.

Nascido em 7 de abril de 1780, em Newport, ficou conhecido como o "apóstolo do Unitarismo", seita protestante datada do século XVI, que negava o dogma da trindade divina, reconhecendo Deus como Uno.

Organizou, nos Estados Unidos, a tentativa para a eliminação da escravidão, a embriaguez, a indigência e a guerra.

Tendo estudado Teologia em Newport e Harvard, tornou-se a curto prazo um pregador de sucesso, em várias Igrejas na área da cidade de Boston. Em Boston, foi Ministro da Federal Street Church no largo período de 39 anos.

Preferindo evitar pontos complexos da Doutrina, ele pregava a moralidade, a caridade e a responsabilidade cristã.

Na qualidade de pregador, alcançava grandes audiências e como escritor colocou várias defesas da sua posição, descrevendo a sua luta como "um sistema racional e amável contra o não entendimento dos homens da caridade ou piedade".

Chegou a ser simpatizante da crença do Movimento de Reforma Social e Educacional, mas não acreditava que a sociedade pudesse ser melhorada por ações coletivas. Recusava a idéia de que o governo poderia ajudar no avanço da moral e sensibilidade da raça humana, acreditando que o governo pudesse somente intervir nas questões essenciais para manter a ordem pública.

Sua obra escrita (ensaios e revisões), cuja maioria foi destruída pelo fogo, foi classificada por um seu contemporâneo como um "Tratado da Doutrina Cristã", enquanto o biógrafo de Napoleão I, Sir Walter Scott teve oportunidade de o cognominar de grande agitador social.

Comparecendo ao palco da Codificação e tendo inseridas em O Livro dos Médiuns três mensagens de sua lavra no capítulo 31, além de uma contribuição valiosa, discorrendo a respeito da ubiqüidade, no capítulo 25, pergunta de número 30 do item 282, convida o homem a escutar a voz interior, do seu anjo guardião, assim se expressando: "Nem todos sabem agir de acordo com os conselhos da razão, não dessa razão que antes se arrasta e rasteja do que caminha, dessa razão que se perde no emaranhado dos interesses materiais e grosseiros, mas dessa razão que eleva o homem acima de si mesmo, que o transporta a regiões desconhecidas, chama sagrada que inspira o artista e o poeta, pensamento divino que exalça o filósofo, arroubo que arrebata os indivíduos e povos, razão que o vulgo não pode compreender, porém que ergue o homem e o aproxima de Deus, mais que nenhuma outra criatura, entendimento que o conduz do conhecido ao desconhecido e lhe faz executar as coisas mais sublimes."

Channing desencarnou em Bennington, Estados Unidos, em 2 de outubro de 1842. Seis anos depois, o grande Movimento que redundaria no posterior surgimento da Doutrina Espírita, despertaria os homens para o estudo mais aprofundado do Mundo Invisível.


Fonte: Jornal Mundo Espírita - Julho de 2001

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