quarta-feira, 9 de março de 2011

Sebastião Lasneau

Nascido em Barra de Piraí, Estado do Rio de Janeiro, no dia 12 de novembro de 1900 e desencarnado na mesma cidade, no dia 30 de março de 1969.

Sebastião Lasneau era poeta, repentista e trocadilhista, fazia versos de improviso e qualquer motivo lhe sugeria um tema. As “Semanas Espíritas” de várias cidades dos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e outros, não estavam completas sem a sua presença.

Dava expansão à rima e ao ritmo, registrando sempre a presença dos confrades espíritas em quadrinhas que recitava com muita verve. Seus pais foram Evilásio Antônio Lasneau e Etelvina Santos Lasneau.

Iniciou sua vida profissional trabalhando em algumas empresas existentes nas cidades de Paracambi e Mendes (Estado do Rio de Janeiro), passando posteriormente a trabalhar na Estrada de Ferro Central do Brasil, onde permaneceu durante cerca de vinte anos, aposentando-se por invalidez.

Nessa ocasião exercia às funções de cabineiro na Estação de Sant Ana da Barra.

Lasneau casou-se em primeiras núpcias com Augusta Dias Lasneau e com ela conviveu durante cerca de sete anos, quando inesperadamente ficou viúvo, com dois filhos em tenra idade.

Algum tempo depois, casou-se, em segundas núpcias, com Olívia Lasneau, que se tornou mãe carinhosa para seus filhos e esposa dedicada durante trinta e seis anos.

Nenhum de seus biógrafos registrou o motivo pelo qual ele se tornou adepto do Espiritismo.

Consta que, em 1944, ingressou no quadro social do Grêmio Espírita de Beneficência de Barra do Piraí, a cuja instituição dedicou a maior parte de sua vida.

Foi eleito seu presidente na gestão de 1954, e vice-presidente em 1955, tendo cedido à causa espírita, todo o tempo que tinha disponível.

Passou por uma expiação dificílima: atacado de glaucoma, perdeu completamente a visão. Era diabético e sofria horrivelmente do fígado. Teve polinevrite com dores lancinantes causadas pelo glaucoma. Acometido de todas essas enfermidades, jamais lamentava-se, rogando sempre a Deus para que lhe concedesse forças para lutar por um mundo melhor.

Lançou mãos de todos os recursos que a Medicina da época lhe facultava, sem qualquer resultado positivo.

Por fim, a conselho de amigos, foi a Caratinga (Minas Gerais), e, na Fazenda Eureka, de propriedade de confrades, submeteu-se a uma intervenção mediúnica, realizada por Espíritos materializados. Não conseguiu recuperar a visão, porém desapareceram todas as dores que sofria no globo ocular.

Além de poeta, foi excelente expositor de temas doutrinários do Espiritismo, tendo realizado apreciável tarefa no campo da divulgação doutrinária.

Proferiu grande número de palestras em instituições espíritas do Estado do Rio de Janeiro. Aproveitava sempre o trajeto de suas viagens para elaborar quadrinhas primorosas, com temas evangélicos e doutrinários, a fim de brindar o público ouvinte.

Teve sempre a melhor boa vontade para com os novos poetas, a todos ensinando, corrigindo e incentivando. Escreveu o jornalista Dr. Agnelo Morato, da cidade de Franca (SP), numa crônica estampada no jornal “A Nova Era”: “Foi extraordinário animador do movimento moço nas fileiras espíritas e seus versos representavam incontido estímulo e incentivo ao bom ânimo de todos os sofredores. Conhecia a matemática do tempo; na sua marcha milenar, vai pondo os dias sobre os dias, anos sobre anos, vida sobre vida, na sua eterna conta de somar. Todo ele se expande em ritmos e sonoridade, revelando fé raciocinada, consolações que obteve ao abeberar-se na fonte de sabedoria espírita, um dos nossos melhores poetas e prosadores”.

Com enorme dificuldade, conseguiu editar alguns livros de sua autoria, os quais tiveram os seguintes títulos: “Pôr do Sol”, “Versos para Eva Musa”, “Versos para a Mocidade”, “Poemas de Barra do Piraí”, “Espiritismo em Três-Rios”, “Cancioneiros da Fraternidade”, “Almas que Cantam” e “Quadras a Completar”.

Deixou ainda alguns livros inéditos, intitulados: “Roseiral de Luz”, “Eterna Canção”, “Poemas da Origens”, “Amizade Inter-Planos” e mais um sem-número de trabalhos, os quais, se colecionados, formariam outros tantos livros.

Sebastião Lasneau dedicou-se também no jornalismo. Foi redator de vários jornais, inclusive do “Jornal do Povo”, de Barra do Piraí. Escrevia crônicas e poesias, conforme se pode ver nas edições do jornal, referente ao ano de 1941.

Musicou alguns de seus versos e fez várias paródias espiritualizadas de músicas famosa da época, as quais eram muito cantadas nos movimentos de mocidade.

Foi autor do “Hino do Cinqüentenário de Barra do Pirai”.

Foi patrono do Ginásio Estadual “São José”. Recebeu o título de cidadão Guaraniense, na cidade de Guarani (Minas Gerais).

Foi juiz de vários concursos de poesias, inclusive da 1ª CONJEB (I Confraternização de Mocidades Espíritas do Brasil), realizadas em Marília (Estado de S. Paulo), certame levado a efeito no ano de 1965.

Após a sua desencarnação, como homenagem póstuma, foi eleito Patrono do “Circulo dos Missivistas Amigos”, um movimento fraterno que promove a correspondência entre pessoas livres e encarceradas, em todo o Brasil.

Participou também de vários concursos, em jogos florais, realizados na cidade de Taubaté ( SP), Nova Friburgo (RJ) e outras cidades, ganhando inúmeros certificados.

Sebastião Lasneau foi, portanto, um dos grandes vultos espíritas, cuja obra teve por cenário numerosas cidades do Estado do Rio de Janeiro e de outros Estados da região Centro-Sul do Brasil, fazendo-o através de uma participação efetiva e constante, em todas as grandes realizações que eram efetuadas em prol da divulgação da Doutrina dos Espíritos, tornando-se, por isso, uma personalidade querida e requisitada por todos.


Fonte: http://www.autoresespiritasclassicos.com/

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