terça-feira, 22 de março de 2011

Policarpo

Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita - fevereiro/2006
"Muitos frutos"

O título é a tradução do nome de Policarpo (poli = muitos; carpo = fruto), que foi discípulo de João Evangelista e viveu entre os anos 69 e 155, em Esmirna, atual Turquia. De caráter reto, de alto saber e fiel ao Cristo, era respeitado por todos no Oriente.

Não se sabe muito a respeito da sua vida, sendo os relatos mais detalhados os que se referem ao seu martírio, em nome de Jesus.

Quando Inácio de Antioquia, a caminho de Roma, prisioneiro, passou por Esmirna, Policarpo o foi ver e lhe beijou as correntes que o prendiam. Inácio, por sua vez, lhe recomendou que velasse pela longínqua comunidade de Antioquia e escrevesse, em seu nome, às comunidades da Ásia.

Pouco depois, Policarpo escreveu uma Carta aos Filipenses, documento que se conserva até os dias da atualidade e que costumava-se ler publicamente, nas igrejas nascentes, sendo admirada pela excelência dos conselhos e a claridade de estilo.

Certa vez, Policarpo deslocou-se a Roma porque desejava aclarar alguns pontos referentes a ritualísticas e comemorações, em que divergia das orientações do Papa Aniceto. Depois de muito conversarem, como nenhum ao outro pudesse convencer de seus pontos de vista, combinaram, como verdadeiros cristãos, que cada qual conservaria as suas próprias convicções e permaneceriam unidos no mesmo Ideal e Amor ao Cristo.

Cerca de 40 anos após o martírio de Inácio de Antioquia, pelo ano 155, uma onda de perseguições varreu subitamente Esmirna. Da época, existe uma carta atribuída a Piônio, dirigida da Igreja de Esmirna à Igreja de Filomélio, outra cidade da Ásia Menor, que ficou conhecida como O Martírio de Policarpo.

É o mais antigo relato conhecido de um martírio cristão e também o primeiro a usar o título de "mártir" para designar um cristão morto pela fé. Segundo Ernest Renan: "Este belo trecho constitui o mais antigo exemplo conhecido das Atas de martírio."

Descreve, em cores vivas, as perseguições a uma dúzia de cristãos, focando especialmente o caso de Policarpo.

Este, três dias antes de ser preso, estando refugiado em uma pequena propriedade, conforme lhe aconselharam amigos, teve um sonho em que viu seu travesseiro queimado pelo fogo. Despertando, disse aos companheiros: "Devo ser queimado vivo!"

Delatado por um escravo, que não suportou a tortura a que foi submetido, Policarpo teve a casa em que se encontrava totalmente cercada. Levantou-se da cama, onde repousava e desceu a conversar com os que o tinham vindo prender.

Alguns se sentiram envergonhados ao lhe descobrirem a veneranda e anciã figura. Policarpo pediu aos que o abrigavam que dessem de comer e beber aos soldados e lhes pediu tempo para orar.

Chegada a hora de partir, fizeram-no montar em um jumento e o levaram para a cidade. Era um sábado. O chefe de polícia, de nome Herodes, e seu pai, Nicetas foram até ele e insistiram para que ele oferecesse sacrifícios a César.

Não conseguindo seu intento, empurraram-no com tal violência que ele machucou a perna. Sem reclamar de coisa alguma, entrou andando no estádio, e foi levado até o Procônsul Estácio Quadrato.

"Pensa na tua idade", disse-lhe o procônsul. "Muda teu modo de pensar. Que mal há em oferecer sacrifícios e fazer tudo o mais para salvar-se? Renega o Cristo e estarás livre!"

A resposta de Policarpo foi serena, mas objetiva: "Há oitenta e seis anos sirvo a Cristo e nenhum mal tenho recebido dEle. Como poderei rejeitar Aquele a quem prestei culto e reconheço o meu Salvador?"

O único leão da cidade estava saciado por espetáculos anteriores e, então, decidiu-se que Policarpo sofreria o suplício do fogo, conforme ele mesmo previra.
A multidão enfurecida gritava: "Eis o pai dos cristãos, o destruidor de nossos deuses. Ele ensina a não sacrificar."

E começou a recolher lenha e buscar feixes tirados das oficinas e das termas. Quando a pira ficou pronta, quiseram pregá-lo ao poste. Ele recusou, afirmando:

"Aquele que me permite sofrer o fogo tornar-me-á capaz de me conservar imóvel na pira."

Ele mesmo se despiu, desamarrou o cinto e tirou as sandálias. Amarraram-lhe as mãos atrás das costas e ele agradeceu a Deus todo-poderoso, por tê-lo julgado digno daquele dia e daquela hora.

Quando as pilhas de lenha foram acesas, o fogo fez uma espécie de muralha à sua volta, envolvendo como parede o corpo do mártir. Ele estava no meio, "como ouro ou prata brilhando na fornalha".

Então, o carrasco subiu à pira e o apunhalou. Era o dia 23 de fevereiro, "no sétimo dia antes das calendas de março, dia do grande sábado, na oitava hora." (5)

Quando os cristãos foram reivindicar o corpo, com temor que passassem a adorá-lo, as autoridades mandaram reduzi-lo a cinzas.
Mais tarde, no entanto, os discípulos conseguiram retirar do fogo alguns dos ossos, para colocá-los em lugar conveniente.

Bibliografia:

1. READER'S DIGEST. Defendendo a fé. In:___. Depois de Jesus. O triunfo do cristianismo. Rio de Janeiro, 1999, cap. 4, item O martirio de Policarpo.
2. www.santododia.com.br/biograf10/polic.htm
3. http://pt.wikipedia.org/wiki/Policarpo_de_Esmirna
4. www.corazones.org
5. geocities.com/Athens/Algean/8990/martpol0.htm
6. www.cancaonova.com/portal/canais/santodia/sview.php?
dia=23&mes=2

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