domingo, 3 de abril de 2011

A Mediuniade nos Centros Espíritas

Conforme explica o pesquisador espírita Carlos Alberto, entrevistado pela Revista Cristã de Espiritismo a mediunidade é uma abençoada oportunidade de trabalho que a maioria de nós ou não tem consciência ou não sabe valorizar.

RCE- Por que não sabe valorizar?

Porque saber valorizar não é somente conhecer os fundamentos teóricos e saber das nossas obrigações. Isso o espírita até sabe. Para se dar valor de que a mediunidade é abençoada oportunidade de trabalho, é preciso se perguntar e responder com sinceridade:

O que estou fazendo com esta oportunidade? Qual a prioridade da prática mediúnica em minha vida? Muitas vezes não temos consciência desta abençoada oportunidade de trabalho quando a substituímos por nossos interesses particulares, normalmente interesses ligados à matéria.

RCE - Qual é o objetivo da mediunidade?

Existem vários objetivos para a mediunidade. Objetivos que se adequam à realidade de cada um de nós, de acordo com as nossas necessidades e vivências. Falo no sentido daquilo que cada um de nós pode aprender com a mediunidade.

Mas entre os principais objetivos, podemos destacar a possibilidade de sermos mensageiros dos bons espíritos, consolando encarnados e desencarnados na grande prática da caridade, embora o maior trabalho fique sempre por conta dos bons espíritos que são enviados de Deus. Podemos destacar também a importância da mediunidade nos mostrando, na prática, a nossa realidade de espíritos.

Na prática da mediunidade com Jesus, vamos descortinando a nossa realidade espiritual. Vamos convivendo com os espíritos, de forma tão natural e segura, que com o desenvolvimento da fé raciocinada que a doutrina espírita nos ensina fortificamos em nós a idéia da verdadeira vida. Podemos dizer que através da mediunidade, fica patente o enterro definitivo da morte conforme nós a conhecemos. Isso não é maravilhoso?

RCE - Como saber se estamos realmente prontos para a prática mediúnica?

Lembro de uma expressão, se não me engano de André Luiz: O serviço aparece quando o trabalhador está pronto. A idéia é mais ou menos esta. Tudo acontece de acordo com os desígnios de Deus. Basta que observemos a natureza. A flor desabrocha no momento certo. Não é diferente para a mediunidade.

Disse nos Jesus: A ninguém é dado um fardo maior do que as suas costas. Se somos incumbidos de um mandato mediúnico, é porque no momento em que esta se manifestar, estaremos prontos, exceto nos casos da infância e em alguns casos de adolescência. Por isso devemos nos preparar com o estudo, pois conhecer a mediunidade não é somente para médiuns ostensivos. Conhecer a mediunidade é conhecer sobre a nossa verdadeira realidade, que é a realidade do espírito, da vida espiritual.

RCE - Quais as principais causas de fracasso de grupos mediúnicos?

Aquilo que os espíritos nos cansam de ensinar no Livro dos Espíritos e no Evangelho Segundo o Espiritismo, principalmente: o orgulho e a vaidade. O orgulho nos faz pensar sermos mais do que realmente somos. A vaidade oblitera a nossa razão, dando campo a mistificação. Através da vaidade, somos muitas vezes induzidos à fascinação, que consiste em sermos enganados, ludibriados pelos espíritos. Estas as questões principais quando falamos de um grupo mediúnico. Mas uma outra questão que não pode deixar de ser lembrada é a falta de estudo. Sem estudo, ficamos a mercê dos enganos. Particularmente, vejo um grande motivo para a falência mediúnica: O materialismo.

Não o materialismo de não crer em Deus ou nos espíritos, mas o materialismo que está arraigado na maioria de nós bem disfarçado, que vem com várias desculpas e vários nomes: Não tenho tempo para ser médium. Entendemos que tempo será sempre questão de prioridade. A minha família não permite que eu seja médium. Quando nos falta obstinação, vontade mesmo. Não posso ser médium, pois não estou preparado para isso. Mas não começamos a nos preparar tão cedo. E por aí vamos, nos nossos enganos, nos nossos erros.

RCE - Como descobrir qual é o gênero de mediunidade que devemos desenvolver (caso exista um potencial mediúnico a ser desenvolvido)?

Através da observação. Observemos o que Allan Kardec nos fala na questão 159, do Livro dos Médiuns: ...Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva. É de notar-se, além disso, que essa faculdade não se revela, da mesma maneira, em todos. Nos diz ele que a mediunidade se caracteriza por efeitos patentes. Logo, é preciso estudo e observação.

É muito comum que ao desconfiarmos que somos médiuns, escrevamos ao plano espiritual (de um centro espírita) e perguntemos diretamente aos espíritos. Uma pergunta simples e direta: Sou médium? Se sim, que tipo de mediunidade possuo? Eles nos respondem, sempre com boa vontade.

Essa entrevista realizada pelo Portal IRC-Espiritismo continua em nosso jornal no mês de maio/2011

Publicada na edição 30 da Revista Cristã de Espiritismo.

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