quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Esperanto como Revelação

Esperanto é a língua planejada mais vastamente falada. Ao contrário da maioria das outras línguas planejadas, o esperanto saiu dos níveis de projeto (publicação de instruções) e semilíngua (uso em algumas poucas esferas da vida social.


Seu iniciador, Ludwik Lejzer Zamenhof, publicou a versão inicial do idioma em 1887, com a intenção de criar uma língua de muito fácil aprendizagem, que servisse como língua franca internacional, para toda a população mundial (e não, como muitos supõem, para substituir todas as línguas existentes).

O esperanto é empregado em viagens, correspondência, intercâmbio cultural, convenções, literatura, ensino de línguas, televisão e transmissões de rádio. Alguns sistemas estatais de educação oferecem cursos opcionais de esperanto, e há evidências de que auxilia no aprendizado dos demais idiomas.


História



Primeira edição do Unua Libro, em russo

O primeiro livro sobre o esperanto foi lançado em 26 de julho de 1887, em russo, contendo as 16 regras gramaticais, a pronúncia, alguns exercícios e um pequeno vocabulário. Logo depois, mais edições do Unua Libro foram lançadas em alemão, polonês e francês. O número de falantes cresceu rapidamente nas primeiras décadas, primordialmente no Império Russo e na Europa Oriental, depois na Europa Ocidental, nas Américas, na China e no Japão. Muitos desses primeiros falantes vinham de outro idioma planificado volapük.

As primeiras revistas e obras originais em esperanto começaram a ser publicadas.Ludwik Lejzer Zamenhof vivia em Białystok (atualmente na Polônia, na época Império Russo). Em Białystok moravam muitos povos e falavam-se muitas línguas, o que dificultava a compreensão, mesmo nas mais cotidianas situações, o que o motivou a criar uma língua auxiliar neutra, a fim de solucionar o problema.

Durante a
adolescência, criou a primeira versão da “lingwe universala”, uma espécie de esperanto arcaico. O seu pai, entretanto, fê-lo prometer deixar de trabalhar no seu idioma para se dedicar aos estudos. Zamenhof então foi para Moscovo estudar medicina. Em uma de suas visitas à terra natal, descobriu que seu pai queimara todos os manuscritos do seu idioma.

Zamenhof pôs-se, então, a reescrever tudo, adicionando melhorias e fazendo a língua evoluir.



O ESPERANTO COMO REVELAÇÃO

Pelo Espírito de Francisco Valdomiro Lorenz
I - Além da morte

Despertando, fora da roupagem constringente do corpo físico, e sobrepujando-nos à comoção natural do processo liberatório da alma, insopitável anseio de expansão nos excita.


Compelidos a reajustar o quadro informativo das definições teológicas, acordamos e, reconhecendo o impositivo da própria renovação, sonhamos perlustrar os caminhos do mundo. Conhecer, enfim, a Terra! Auscultar-lhe a ancianidade e a grandeza! Penetrar a cultura dos povos e sentir-lhes de perto o conjunto de tradições e lendas, crenças e costumes!


Não apenas escutar as palavras que se pronunciam agora nas ruínas de Tebas ou nos templos de Benares, nas ruas de Atenas ou nos santos lugares de Jerusalém, nas relíquias de Roma ou nos campos da França, mas também assinalar, de viva voz, os apontamentos dos arquivistas do espírito, que velam pela sabedoria do Egito e protegem o Mânava Dharma Sastra ou as Leis de Manu da Índia Bramânica, que sustentam os registos das anotações de Sócrates e das lições originais de Jesus, e que nos poderão revelar os editos dos imperadores romanos e repetir as palavras de Vercingetórix, o herói gaulês, quando se rendeu aos soldados de Júlio César para adornar-lhe o triunfo!...


Quem, na euforia do veículo espiritual rarefeito, não aspirará a transportar-se, de surpresa em surpresa, nos domínios da inteligência, como a falena, ébria de liberdade e de luz, volitando de flor em flor?


II -  Problema da linguagem na Espiritualidade


Na esfera imediata à moradia humana, porém, o problema da linguagem é daqueles que mais nos afligem o senso íntimo.


O idioma simbólico prevalece, com efeito, para as grandes comunidades dos Espíritos em mais nobre ascensão.


O império da arte pura é aí a sublimação permanente da Natureza.


A música diviniza a frase e a pintura acrisola a imagem, esculpindo-se monumentos que falam e gravando-se poemas que fulguram, através da associação de cores e sons, no assombroso quimismo do pensamento.


Entretanto, essa residência de numes, semelhante aos Campos Elísios da tradição mitológica, situa-se muito além do lar humano em que nos florescem as esperanças.


Ainda aqui, aos milhões, não obstante se nos descerrem horizontes renovadores, achamo-nos separados pela barreira lingüística.


Vanguardeiros do progresso, como é justo, adquirem contacto com idiomas nobres ou dominam dialetos aqui e acolá; isso, no entanto, com reduzido rendimento no trabalho educativo que se propõem efetuar.


Para isso, os mais credenciados, do ponto de vista moral, reencarnam-se nos países e regiões que lhes granjeiam devoção afetiva, com sacrifício participando do patrimônio cultural que os caracteriza, gastando decênios para a esses torrões ofertar esse ou aquele recurso de aperfeiçoamento às próprias concepções.


Isso porque a palavra pronunciada ou escrita é e será ainda, por milênios, o agente de transmissão dos valores do espírito, estabelecendo a comunhão das almas, a caminho da Grande Luz, nas zonas de aprendizado em que se nos desenvolvem as lutas evolutivas.


III - Disparidade de linguagens e separação dos Espíritos

Nas linhas inferiores da Terra, os seres de caráter rudimentar, pelo primitivismo das manifestações que os singularizam, correspondem-se facilmente uns com os outros.


Os bovinos de uma pastagem síria berram de modo análogo aos brutos da mesma espécie numa estância chilena, e o gemido de um cão em Londres é idêntico, em tudo, ao choro esganiçado de um cão em Tóquio.


Do fonema, porém, à linguagem articulada, vigem milhares de séculos, marcando a peregrinação da inteligência.


Se o animal, diante do homem, está limitado no cubículo da interjeição, o homem, perante o anjo, ainda está preso ao cárcere verbalístico.


Por essa razão, entre as criaturas encarnadas e entre as criaturas desencarnadas, apesar da reflexão mental inconteste, a linguagem é veículo ao plasma criador do pensamento, estendendo-o ou enquistando-o, conforme o raio de ação em que se demarca.


As conquistas de um povo estão, desse modo, encerradas com ele, em seu mundo idiomático, retardando-se, indefinidamente, a permuta providencial que faria das nações mais cultas mentoras diretas das que respiram na retaguarda.


À face disso, o Oriente e o Ocidente sempre nutriram entre si profundas antinomias e raças diversas se digladiam, desde longevas civilizações, restritas à faixa das idéias que lhes são próprias, cristalizadas na hegemonia política ou religiosa, mantendo guerras periódicas de perseguições e extermínio, em que largas possibilidades de tempo são sacrificadas ao deserto do afastamento, no qual a ignorância se converte em perigoso verdugo, embora os princípios redentores, formulados pelos pioneiros da evolução, convocando as pátrias terrestres ao aprimoramento e à fraternidade, repousem nas bibliotecas preciosas e bolorentas, à feição de mortos ilustres.

 
IV - Necessidade de uma língua internacional

Urgia, desse modo, não apenas para o ajuste de humanas cogitações, a criação de uma língua auxiliar que interligasse os territórios do espírito. Um sistema de comunhão que exonerasse os lidadores do avanço intelectual de maiores entraves para o acesso aos tipos mais altos de cultura...


Ansiavam milhões de almas pela libertação das algemas lingüísticas que lhes mumificavam as expressões.


Espíritos habilitados a vôos amplos, nos céus da ciência e da arte, da instrução e da indústria, restringiam-se aos preceitos e ritos mentais dos tratos de gleba em que agiam ou renasciam, sufocados no círculo angusto de parco vocabulário, quais pássaros de majestoso poder, aprisionados na férrea gaiola da insipiência.


Grandes comunidades imperiais, quais a Rússia e a Grã-Bretanha, mostravam-se divididas por línguas várias e múltiplos dialetos, afigurando-se como corpos gigantescos em que o sangue mental circulasse deficiente.


E além da paisagem propriamente terrestre, as criaturas libertas do carro físico, se excepcionalmente evoluídas, no intervalo das reencarnações necessárias, via de regra não conseguiam transcender a fronteira de realizações dos grupos raciais a que se viam jungidas.


Inteligências dos conjuntos asiáticos, africanos, ameríndios, latinos, eslavos, saxônios e de outros agrupamentos permutavam aquisições, imolando cabedais insubstituíveis de tempo.


Verificando as imensas dificuldades para o intercâmbio de tribos e povos desencarnados, especialistas espirituais de fonética, etimologia e onomatopéia empreenderam a formação de um idioma internacional para entendimento rápido nas regiões espaciais vizinhas do Globo, multiplicando, em vão, tentames e experiências, até que um dos grandes missionários da Luz, consagrado à concórdia, tomou a si o exame e a solução do problema.

V - Criação do Esperanto entre os Espíritos

Novas perspectivas descerram-se, promissoras.


Cercando-se de assessores eficientes, o construtor da unificação iniciou dilatados estudos e, conjugando as mais conhecidas raízes idiomáticas de vários povos, concretizou, em quase meio século de trabalho, a sublime realização.


Auxiliado pelas numerosas equipes de colaboradores que se lhe afinavam com o ideal, o gênio da confraternização humana, que conhecemos por Lázaro Luís Zamenhof, engenhara, com a inspiração divina, o prodígio do Esperanto, estabelecendo-se a instituição de academias respectivas, nos planos espirituais conexos às nações mais cultas do Planeta.
VI - Criação do Esperanto entre os homens

Reconhecido o primor de mecanismo da língua que nascera por fator exato de aproximação das coletividades espirituais, avizinha-se o século XIX com enorme programa de serviço renovador.


Caem bastiões do fanatismo e da ignorância.


A pesquisa científica desvela novos rumos à mente popular.


Aprestam-se enviados ao campo físico para o congraçamento dos homens.


O barco de Fulton, a locomotiva de Stephenson, o telégrafo elétrico de Morse, o aparelho de Bell, as fotografias animadas dos irmãos Lumière, a linotipo de Mergenthaler e as ondas de Hertz prenunciam o submarino e o transatlântico, o automóvel moderno e o avião, o cinema e a grande imprensa, o telefone, a radiofonia e a televisão da atualidade.


As profecias de Maxwell desbravam caminhos para as ciências atômicas.


No cenário de resplendentes promessas, Allan Kardec, na missão de Codificador do Espiritismo, desvenda novos continentes de luz ao espírito humano, operando a revivescência do Cristianismo, e, tão logo se lhe derramam na Terra as claridades do primeiro livro revelador, em 1857, decide-se a reencarnação do grande mensageiro da fraternidade.


Corporifica-se Zamenhof, em 1859, num lar da Polônia, então associada ao Império Moscovita, cujos povos congregados falavam e escreviam em quase duzentas línguas diversas.


Retomando gradualmente as potencialidades que o enriqueciam na Esfera Superior, sente-se amparado pelos mesmos amigos que o ajudaram na constituição do idioma internacional.


E, ante as farpas da crítica e sob os latejos da ingratidão, atormentado, incompreendido pela maioria dos contemporâneos, ferido por muitos e apedrejado em seus sentimentos mais caros, recompõe o Esperanto para os povos terrestres, encetando nova estrada para a unificação mundial.

VII - Contribuição mediúnica na difusão do Esperanto

 
Estranha-se comumente a atitude de muitos estudiosos desencarnados, recomendando, através de canais mediúnicos, o estudo da língua internacional.


Decerto que o Esperanto não é disciplina religiosa, mas fascinante chave de percepção, descortinando filões inesgotáveis de cultura superior.


Facilitar o entendimento é ato de caridade, e construir o futuro é serviço de confiança.


Qualquer viagem, além das fronteiras em que nos desenvolvemos no torrão de berço, exige preparação.


É inútil providenciar passaporte em favor de um analfabeto para inspeção demorada aos cursos da Universidade de Paris, tanto quanto desagradável colocar alguém nas telas maravilhosas do inverno suíço sem um trapo de lã.


Aprender Esperanto, ensiná-lo, praticá-lo e divulgá-lo é contribuir para a edificação do Mundo Unido.

VIII - Exigências da solidariedade

As criaturas que hoje se amesendam com o pão da carne serão amanhã as criaturas da vida real, acomodando-se, obrigatoriamente, aos valores do espírito.


Desembaraçadas do coche físico, ainda mesmo quando temporariamente imobilizadas nas idéias antropocêntricas que lhes alimentavam os dias, acabarão apreendendo o imperativo da própria libertação, abrindo janelas interiores que lhes ventilem os pensamentos.


Se um homem comum da atualidade, ocupando um avião a jato, pode retirar-se da América, descansar na África e conciliar negócios na Europa, no espaço de algumas horas, precisa senhorear várias línguas ou remunerar diferentes intérpretes para movimentar-se com segurança e proveito, imaginemos o homem desencarnado, na complexidade das sensações novas que o tomam de assalto, quando a ruptura da represa sensorial lhe extravasa os sentidos. A sede de comunicação e de solidariedade requeima-lhe o cérebro e comprime-lhe o coração.


É imprescindível falar e ouvir, perceber e compreender, desonerar-se de condicionamentos antigos, quebrar velhas fórmulas, ajustar-se a mais amplas dimensões, expungir o passado e partir de si mesmo.

IX - Idioma internacional e religião universal

Atendamos, desse modo, nós outros, espiritualistas e espíritas, encarnados e desencarnados, ao incremento do Esperanto, em simultaneidade com o esforço de restaurar as colunas do Cristianismo, por santuário vivo da Religião Universal, em bases de amor e sabedoria, no terreno da Bondade Imensurável de Deus e Sua Justiça indefectível.


Não importa estejamos, na condição de coidealistas do Esperanto, em sintonia com os nossos irmãos católicos, reformistas, ortodoxos, bramanistas, budistas, israelitas, sintoístas, maometanos, zoroastristas, ateus e de quaisquer outras confissões e convicções, porquanto, as correntes de idéias, como as fontes de níveis diversos que deságuam invariavelmente no mar, alcançam sempre o oceano da realidade imutável, em cujas águas as advertências da evolução nos impõem o reconhecimento da própria humildade ante a grandeza da vida, com a impersonalização de nossa fé.


Desfraldemos, assim, o estandarte verde por símbolo de união!


Em qualquer idade, aprendamos!


Incompreendidos, prossigamos!


Alegres, perseveremos!


Esperanto quer dizer "o que espera".


Marchando e servindo, crendo e amando, imperturbáveis, esperaremos.



X - Em saudação

E agora, Zamenhof,
Que um século termina
Sobre a tua chegada
Ao mundo em transição,
Saudamos-te a grandeza
Em preito reverente.


Depois que deste aos homens
A mensagem de luz
Do Esperanto sublime,
Guerras encarniçadas
Açoitaram de novo
As nações divididas.


Mas do fundo da noite
Em que a discórdia alonga
Azorragues de treva,
A estrela que acendeste
Em verde resplendente
Anuncia a união.


E nós, Esperantistas,
Trabalhando, dispersos,
No chão de todo o Globo,
Repetimos contigo:
— Louvado seja Deus!


Referencias:

Um comentário:

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