sábado, 24 de abril de 2010

Artur Lins de Vasconcelos Lopes


Entrevendo a parte geográfica do nosso País, encontramos a cidade de Teixeira, pequenina região encravada na aridez
nordestina, entre os estados da Paraíba e Pernambuco. Embora sem expressão alguma, esse local foi designado pelo Alto para trazer ao mundo físico a figura simples e que muito faria pela Doutrina Espírita: Artur Lins de Vasconcelos Lopes. O calendário marcava o dia 27 de março de 1891, seu retorno à Terra.

Cresceu esse menino no meio de muitas dificuldades.

Seus pais, pobres lutadores, procuravam tirar da caatinga o sustento da prole.

Artur mostrava-se valente. Sua infância repleta de dificuldades não o tornou rebelde ou revoltado, por não ter tempo de brincar ou de possuir os brinquedos existentes na época. Quando voltava com seus pais da lida na roça, procurava a forma de aprender a ler e a escrever, junto das crianças que, como ele, freqüentavam a "escolinha rural".

Artur sonhava em poder, um dia, conhecer as grandes cidades. Isso lhe dava ânimo para continuar a crer que esse dia chegaria. Sua confiança em Deus trazia-lhe a certeza de que seu destino mudaria, pela vontade que possuía de ser útil. Sabia que aquele pequenino rincão era apenas o começo. Certamente, os recursos viriam com o tempo.

A vida seguia seu rumo entre aqueles sertanejos nordestinos, contando sempre com o adolescente Artur que tornara-se um responsável tropeiro.

Deixando de trabalhar com a enxada e a dura tarefa do plantio, percorria as fazendas, os lugares até mais distantes, para vender ou trocar mercadorias, já que, com seu hábil aprendizado entre os comerciantes, optara pelos negócios. Vendia ou trocava tudo que fosse útil, procurando servir até as donas de casa. Naturalmente essa nova vida lhe fora providencial, isso porque suas viagens, mesmo sendo a cavalo, lhe davam novas oportunidades de conhecimentos.

Por vezes recebendo encomendas importantes, onde somente os maiores estados como Paraíba e Pernambuco teriam o material pedido, facultava-se-Ihe a oportunidade de ir aos maiores centros comerciais. Até muitas vezes encontrava professores, políticos e religiosos. E foi justamente o meio religioso que falou mais alto ao seu coração. Nessas conversações, ouvia de tudo.

Admirava e respeitava o modo como seu povo honrava a Deus. Mas, para ele, não seria esse o caminho de rituais ou promessas para se tornar agradável a Deus. Para Artur, Deus era algo sublime e muito superior à matéria. Afinal,´Ele é o Criador!

Respeitando e não aceitando o que ouvia sobre as questões religiosas, chegou à conclusão de que seria necessário elaborar um estudo sobre o assunto. E o que mais o preocupava era com relação à vida e às dificuldades contínuas e principalmente sobre a existência após a morte. Já havia participado de encontros entre pessoas que também buscavam a confirmação, mas tudo isso lhe parecia vago demais.


Com o passar do tempo e querendo alcançar novos rumos para a sua vida, mudouse para a cidade de Recife. Já conhecia a região, pelas andanças que fazia a negócios. Procurou por um emprego fixo e conseguiu se tornar um caixeiro numa casa comercial, recebendo um bom salário.

Recife era muito visitada por pessoas que procuravam a melhoria econômica. Apesar de suas belas paisagens e ser colada a Olinda, Artur ainda não se sentia bem. Seu emprego o colocava em contato com muitas pessoas e ouvia os viajantes, que chegavam a passeio ou a trabalho, elogiarem muito a vida em terras do sul do País. Artur começou a pensar em transferir-se para Curitiba.

E cogitava de que, sendo a capital do Estado do Paraná, teria todas as possibilidades de trabalhar e estudar. Chegara à conclusão de que, sem estudos, ele não chegaria a lugar algum e, muito menos, a ter respostas para achar a graça de viver, pois, como sempre, vivera em dificuldades.

E novamente Artur parte, deixando o norte para modificar a paisagem de sua vida, rumando para o sul.

Após encontrar acomodações em Curitiba, começou a pesquisar onde trabalhar para poder sustentar-se. Chegou à conclusão de que melhor seria alistar-se no Exército. E foi o que fez, alistando-se no 3° Regimento de Infantaria dessa cidade. Dedicou-se profundamente a essa profissão escolhida e aprofundou-se no estudo, que lhe deu outra visão de existência.

Em pouco tempo, e por seus esforços em querer ter algo melhor na vida, conseguiu passar para o 18° Batalhão. Daí, para alcançar outro posto militar, foi rápido, chegando a ser sargento.

Em 1918, conseguia matricular-se na Escola Superior de Agronomia, em Curitiba.

Havia chegado até à faculdade! Porém, seu sonho era tornar-se engenheiro agrônomo. Queria ter contato com a Natureza e essa era Deus.

Lutou intensamente para fazer boas provas. Muitas vezes, precisou gratificar seus companheiros de caserna (moradia do quartel) para poder estudar, trocando os turnos da guarda.

Foi ele recompensado por todas as dificuldades pelas quais passou, diplomando-se com honras de distinção e, no mesmo período, ganhou medalhas pelo bom desenvolvimento militar.

Afastou-se da carreira militar e fez curso para empregar-se em cartório. Procurou, dessa forma, orientar as famílias que recebiam, como herança, terrenos e que, muitas vezes, brigavam, entre parentes, por quererem casas, por não saberem como lidar com
as terras. Os cartórios promoviam os engenheiros agrônomos para esses serviços e Artur fora chamado para exercer esse cargo. Com isso, ele começou a sentir, em cada caso que lhe chegava às mãos, as constantes trapaças e desigualdades sociais. O quanto, por vezes,
havia de prejuízo nessas partilhas de terras e aproveitamento em dívidas por arredamentos, no controle das plantações etc.

Artur sentia-se impotente diante de tanta miséria moral.

Perguntava a si próprio o porquê desses desajustes entre familiares. Colocava-se, mentalmente, no lugar das pessoas prejudicadas e ficava muito desarvorado, de mãos atadas, porque a ambição das criaturas e o desejo de posse eram muito grandes. Entravam no meio jogos de interesses dos que defendiam a parte conveniente, para terem direito a um "gordo" quinhão. Isso deixava Artur pesaroso e, muitas vezes, com vontade de demitir-se para não ser testemunha de tanta maldade.

Diante disso, decidiu-se ir à procura da solução desses problemas intrínsecos para ele. Chegou, com esse propósito, a conhecer o senhor Antônio Duarte Veloso. Soubera que ele era um dedicado servidor do Cristo.

Estabelecidas as apresentações de um para com o outro, Antônio Veloso apreciou conhecer aquele jovem, que buscava o roteiro de luz para suavizar seus impulsos sociais e humanitários. Sentiu que Artur seria mais um defensor do "Bem".

Junto a outros companheiros de ideal cristão, Artur começou a estudar a Doutrina Espírita. Encontrando-se, viu que era justamente o que lhe faltava para entender que cada problema fazia parte de um mundo de débitos interiores do passado, resultantes da falha do ser humano em não compreendera Lei de Deus, a "Lei do Amor".

Acima de tudo, Artur passou a repetir constantemente, para si próprio, a máxima do Cristo: - "Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei". Esta será a base segura, para a grande transformação moral, que a humanidade terá que aprender, um dia, pensava convicto.

Daí para a frente, Artur não parou mais. Suas atividades cresciam dia a dia. Dedicou-se intensamente a defender os injustiçados. Quando podia, dava-lhes segurança física e orientava-os para ajustarem-se a uma fé e sentirem a presença de Deus em seus
corações.

Percorria todos os lugares, comentando o Evangelho.

Procurava pacificar os núcleos que, embora de cunho Espírita, deixavam-se perder em horas preciosas pelas intrigas que, como sabemos, até hoje faz ruír em agrupamentos invigilantes. Ergueu inúmeras obras beneficentes, deixando em cada uma o propósito de trabalhar em nome da Caridade, sem almejar o ganho material, usando o nome do Cristo para esse fim.

Voltando ao Estado da Paraíba, revendo aqueles que lá deixara, prontificou-se em saber como estava sendo desenvolvido o movimento espírita local. Percebendo as dificuldades, por falta de uma acomodação maior entre os integrantes do movimento, adquiriu um prédio e ali instalou-se a Federação Espírita Paraibana.

Artur Lins de Vasconcelos Lopes foi também secretário geral da Federação Espírita do Paraná. Fez crescer muito o movimento paranaense. Unia os jovens das regiões para orientá-los quanto à Evangelização Infantil. Seu nome tornou-se conhecido por todo o
país. Todos queriam ir até a sua presença, em busca de orientação para a divulgação da Doutrina Espírita. Mas isso não mexia com a sua vaidade, seu tempo era só para o trabalho espírita cristão.

Caminhando pelas ruas de Curitiba, nas noites frias ou chuvosas, começou a prestar atenção nos indigentes que dormiam pelos becos ou pelos cantos das calçadas da cidade. Seu coração constrangeu-se, ao vê-los cobertos por papelão ou envoltos em jornais. Dirigindo-se à diretoria da Federação propôs arregimentar trabalhadores voluntários para a inauguração de um albergue noturno, para dar atendimento aos moradores das ruas.

Feito e aceito o acordo por todos os integrantes espíritas locais, o albergue noturno foi aberto contando, em sua inauguração, com a presença do governador do Estado daquela época, o senhor Carlos Cavalcanti de Albuquerque, que elogiou a iniciativa humanitária daquela entidade benemérita.

A vida seguia seu rumo junto a esse colaborador incansável do Cristo. Exercia sua profissão com lealdade, sendo elevado à condição de escrevente juramentado de um dos tabelionatos da cidade. Mas como, por vezes, acontecimentos inesperados acontecem na vida de todo ser humano, não poderia ser diferente com Artur. Era a hora da fidelidade a Cristo, a quem todos devemos e para Artur não fora diferente.

Artur, por essa época, já estava casado, com a família constituída. Sua esposa, dona Hercilia César de Vasconcelos Lopes, era sua incentivadora, tanto em seu devotamento religioso, pelo qual também professava sua fé, como no campo profissional, dando-lhe ajuda, sempre que possível, reanimando-o, quando o percebia triste. E foi nesse momento tão crucial que Artur, vendo-se demitido do seu trabalho profissional, por não concordar com o Governo do Estado, pôde sentir a força que dona Hercilia lhe dera, para continuar a lutar pelos seus Ideais.

Quando se deu esse acontecimento, ele já era o Presidente da Federação Espírita do Paraná. Ao tomar conhecimento do ato inconstitucional do Governo do Estado, onde ele doava terras para a instalação de dois bispados, Artur não se conteve e, junto a outros companheiros, organizou atos de protesto contra esse absurdo fato de privilegiar aos que já eram tão favorecidos, tanto pelos políticos como pelo viver de dízimos.

Esse protesto contou com a colaboração do professor Dario Veloso, que fora famoso homem de letras e presidente do Instituto Neopitagórico de Curitiba (estudos sobre a filosofia de Pitágoras) e outras pessoas que defendiam a mesma tese religiosa. Por esse motivo, Artur foi muito perseguido, sendo processado judicialmente.

Mas esse processo foi revogado pelo Tribunal de Justiça, graças à ajuda de amigos espíritas que advogaram a causa, por serem também defensores do mesmo ideal de justiça social.

As finanças da família sofreram grande abalo. Mas Artur, sendo um excelente comerciante, rapidamente entrou para o comércio madeireiro e se deu muito bem. Em breve tempo, o retorno econômico cresceu e ele veio novamente a se enriquecer. Porém, para ele, a fortuna material nada representava.

Como sabia que os rendimentos monetários eram passageiros, colocou mais ainda as mãos no trabalho da Seara de Cristo. Esse sim, repetia para a família e aos amigos espíritas, é o principal motivo da vida. Deus nos provê tudo, desde que saibamos fazer uso do que seja a "mais" para a nossa sobrevivência. E para poder repartir mais com aqueles que possuem menos, fundou a Companhia Pinheiro Indústria e Comércio, onde era o diretor presidente. Com isso, empregou inúmeras pessoas, aliviando a condição de penúria de muitas famílias.

A ajuda que Artur prestou, fundando em vários lugares creches, hospitais, lares para idosos, sanatórios, ginásios, fornecendo alimentos para famílias carentes, fora sem precedentes. Por todos os Estados brasileiros seu nome era sinônimo de "caridade". E para as centenas e centenas de pessoas a quem ele ajudava, seu nome passou a ser: "O Banqueiro dos Pobres".

Atuou bravamente para a criação da "Revista do Espiritualismo", órgão da Sociedade Publicadora Kardecista do Paraná onde se tornou um dos diretores.

Foi também um dos responsáveis para que o Estado do Paraná fizesse realizar o II Congresso Espírita, no Estado, alcançando um grande número de espíritas e simpatizantes. Foram muitos os participantes e oradores, com idéias de grande valor, para os interessados na Verdade pela Codificação Kardequiana.

Um dos pontos mais ressaltados por Artur, nesse mesmo Congresso, foi de voltarse a atenção para a educação religiosa infantil. Elogiava a atitude de Cairbar Schutel com relação à Evangelização Infantil. Era necessário, dizia ele, preparar as crianças para o futuro. As instituições espíritas deveriam fazer o melhor para que fossem elas atraídas para as aulas elucidativas, e os evangelizadores deveriam se preparar para tal acontecimento.

Tempos depois, Artur e família mudam-se para o Rio de Janeiro, renunciando à Presidência da Federação Espírita do Paraná, mas tornou-se, por eleição geral realizada pela Casa, "Presidente Honorário", pelos relevantes serviços prestados às causas espíritas.

Embora não mais morando em Curitiba, estava sempre presente na continuação dos trabalhos ali desenvolvidos. E, numa dessas suas vindas à cidade, foi ele convidado a participar da reunião do Conselho da Federação Espírita do Paraná.

Entre os assuntos ali desenvolvidos, foi mencionada a criação de um sanatório para atender aos inúmeros casos de doentes mentais. Artur, de imediato, propôs que as obras fossem iniciadas em curto espaço de tempo, colocando os recursos financeiros para que o sanatório abrigasse também as pessoas obsediadas. Surgiu então o Sanatório "Bom Retiro" onde ele, sempre que podia, visitava os doentes, fazendo questão que "O Evangelho Segundo o Espiritismo" fosse o primeiro remédio a ser dado a eles, com passes e fluidificação da água.

Artur Lins de Vasconcelos Lopes teve seu nome ressaltado, por ocasião da Coligação Nacional Pró-Estado Leigo, quando foi eleito presidente. Lutou arduamente para que esse movimento alcançasse seu objetivo, que era o de tornar a Nação independente no aspecto religioso.

Não encontrando apoio no meio da Coligação, entre os que diziam lutar até que esse objetivo fosse realizado, o que não aconteceu, afastou-se dessa Sociedade brandamente, sem que viessem a entender estar ele melindrado. Queria que sentissem que os elos, para que o movimento fosse adiante, contassem com a colaboração da equipe, no qual não poderia arcar sozinho com tanta responsabilidade. Com seu afastamento, esse movimento veio a desaparecer.

Tempos depois, Artur veio a tomar conhecimento de que a "Gráfica Mundo Espírita" estava passando por séria crise financeira, com o perigo de seu fechamento.

Ficou preocupado porque, com isso, o periódico "Mundo Espírita", assumido pela gráfica, deixaria de existir. Indo até o local, posicionou-se com as dívidas e tomou a frente, vencendo as dificuldades que foram criadas pelas discussões doutrinárias. Dando
outra orientação ao conteúdo desse jornal, "Mundo Espírita" voltou a circular sem idéias separatistas ou polêmicas inúteis. Passou a ser um órgão de divulgação doutrinária, com notícias sérias sobre o movimento Espírita do Brasil, ligado à Federação Espírita do Paraná. Órgão que passou a pertencer à Federação, após o desencarne de Artur Lins.

O Deputado Campos Vergal era profundo simpatizante da Doutrina Espírita. Sua preocupação esteve sempre ligada ao procedimento dos jovens. Em suas horas vagas, lia "O Livro dos Espíritos", por achá-lo atual nas questões desenvolvidas por Kardec. Querendo ser útil em realizar algo em favor da juventude, procurou contatar Artur Lins para ajudá-lo a realizar o I Congresso das Mocidades Espíritas do Brasil. Artur não só acatou a idéia, como uniu-se ao espírita convicto, Leopoldo Machado, que prestou para o serviço da divulgação desse Congresso o maior incentivo, através de suas elucidativas palestras. Juntos, tornaram esse encontro de jovens um enorme sucesso.

Esse movimento aconteceu no dia 18 de julho de 1948, tendo o seu início, em sessão de honra, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Por aclamação geral, foi presidido por Artur Lins de Vasconcelos Lopes que, num vibrante discurso, fez a entrega simbólica desse Congresso aos jovens espíritas. Quis, dessa forma, incentivá-los para a responsabilidade dos trabalhos na Doutrina Espírita.

Dentre esses inúmeros trabalhos, desenvolvidos pelo espírito empreendedor de Artur Lins, havia um sonho que ele gostaria de ver realizado. Seria uma instituição destinada ao trabalho social do Espiritismo, sob todas as suas formas e necessidades. E, graças ao seu esforço, conseguiu ganhar mais essa luta. Em fevereiro de 1949, esse empreendimento veio à luz do mundo, recebendo o nome de "Ação Social Espírita". Todas as finalidades desse trabalho foram editadas, em 25 itens, na edição do dia 12 de março de 1949, no jornal "Mundo Espírita", para divulgar a matéria de auxílio a todas as Sociedades Espíritas, até às artes e ciências que estavam inseridas nesse trabalho.

Ainda no ano de 1949, Artur Lins colaborou intensamente para que a I Festa Nacional do "Livro Espírita" fosse realizada no Brasil. Diante de seu esforço e possibilidades financeiras, todo o território nacional tomou conhecimento do surgimento de "O Livro dos Espíritos", cujas festividades tiveram início de 14 a 18 de abril de 1949.

Nesse mesmo ano, começaram os preparativos para a realização do II Congresso Espírita Panamericano, que teria lugar no Rio de Janeiro, entre os dias 3 a 12 de outubro de 1949.

Sendo esse movimento de grande proporção, a comissão organizadora convidou para exercer o cargo de tesoureiro o ilustre espírita, Artur Lins de Vasconcelos Lopes. Ele aceitou, com alegria, não só o cargo proposto, como também o de organizador das festividades, definindo as posições de atendimento às comissões que foram convidadas, para sentirem o calor humano do povo brasileiro.

Mais uma vez, o sucesso foi geral. Artur conseguiu, com as bênçãos do Alto, reunir com harmonia representantes de várias nações americanas, com o objetivo maior de unir irmãos de outras pátrias, nas terras ditas pelos Espíritos Superiores que seria, um dia:
Brasil, Coração do Mundo e Pátria do Evangelho.

Porém, o grande significado da Espiritualidade para a Terra, segundo o desejo e a realização concretizada, para Artur, foi no dia 5 de outubro, em meio ao Congresso, data essa onde o "Pacto Áureo" ficara evidente. Era o dia áureo da confraternização.

Para Artur, a vitória da sua luta pela união da família espírita, tão almejada por ele, em torno da Casa de Ismael, do Brasil, nação brasileira, designada pelo Cristo, a ensinar às outras nações o poder da fé em Deus.

Se nada mais fizesse, Artur Lins já partiria feliz, porque sua reencarnação não teria sido inútil.

Após o "Pacto Áureo", organizou-se, ainda no Rio de Janeiro, uma caravana que ficou chamada de "Caravana da Fraternidade". Foi com esse outro importante movimento que espíritas de outras regiões, animados com o "Pacto Áureo", partiram para o norte e nordeste do País, numa campanha em prol da união, como ficara prescrito na Conferência Espírita realizada no Estado do Rio de Janeiro. Campanha da união nacional.

Artur Lins de Vasconcelos Lopes, diante de sua entrega ao campo do trabalho doutrinário, tornou-se o homem mais conhecido em sua época. Era o "Banqueiro dos Pobres" porque ele entendeu que Deus lhe provia o excesso para que a sua preocupação fosse a de saber distribuir os bens e não retê-los. Os estudos doutrinários a que tanto se afeiçoara, na verdade, só pôde compreendê-los quando passou a vivenciá-los a cada minuto, junto à dor do semelhante.

Tudo isso rendeu-lhe muitas responsabilidades e encargos como: sempre era indicado como o representante da Federação Espírita do Paraná, no Conselho Federativo Nacional, membro permanente da Assembléia Deliberativa da Federação Espírita Brasileira, Vice-presidente da Liga Espírita do Estado da Guanabara, 10 Secretário da Sociedade de Medicina e Espiritismo do Rio de Janeiro e seu presidente de honra. Em todos os movimentos de que participava, contagiava os dirigentes e assistentes pela sua alegria e convicção do que fazia. E em todos os momentos, ele contava com a presença
simples e de grande simpatia de sua esposa.

Dona Hercilia muito o ajudou, junto ao amparo das instituições e trabalho assistencial. Nesse campo de amparo aos menos favorecidos materialmente, ela fazia a vez de Artur. E este exaltava, em suas palestras, o trabalho das mulheres. Nelas, dizia Artur, encontramos, antes de tudo, o respaldo do carinho maternal.

A vida desse batalhador, incansável nas tarefas doutrinárias, dava-lhe sinais de que seu estado físico começara a definhar. Diminuiu suas atividades, mas não parou. Seus sentimentos empre voltados para o bem ao semelhante, deram-lhe forças para, como dizia a seus amigos e família, aproveitar o tempo, até que suas energias se esvaíssem por completo.

E no dia 21 de Março de 1952, todos os espíritas receberam a triste notícia da partida, do plano físico para o mundo espiritual, desse abnegado ser, Lins de Vasconcelos.

A alegria fora dos Espíritos que acompanharam sua dedicação às tarefas doutrinárias. Voltava ele para a pátria de origem, feliz por ter cumprido seu dever como cristão. Entre os Espíritos que, no mundo espiritual, o aguardavam com carinho estava Cairbar Schutel, que o abraçou e fez lembrá-lo das lutas para que o Espiritismo viesse a ter livre acesso entre o povo.

E recordaram os instantes nebulosos passados com o movimento da "Coligação Nacional Pró-Estado Leigo", onde ele, Cairbar, junto a um grande grupo de espíritas, reunidos, contribuíram com a ação de Artur Lins para que o ensino religioso fosse obrigatório nas escolas. Abraçaram-se e riram muito com o episódio que resultou no rasgar da Constituição ultraliberal de 1891.

Os Espíritos Superiores que ajudaram nessa fase de progresso espiritual para a Terra, disseram-lhes do trabalho que fizeram para que fosse mantida a ordem na Terra, sem conseqüências graves.

Durante o velório, foram muitos os espíritas e amigos que teceram comentários ao desprendimento dos bens materiais de Artur Lins, onde somente o valor maior que ele possuía era o de fazer feliz os infortunados. E a repercussão entre todos os comentários feitos foi através do médium, Francisco Cândido Xavier, que assim se referiu a Artur Lins:

"Era ele uma coluna firme da Doutrina em nosso País e um companheiro abnegado de nosso movimento de Unificação."

Dona Hercilia, companheira fiel de Artur, soube acolher esse transe difícil da partida de seu companheiro, e soube passá-lo com resignação, confiando num breve reencontro.

Desencarnado em São Paulo, seu corpo foi levado para Curitiba, cidade a que ele se afeiçoara. Era seu desejo e Dona Hercilia acatou sua vontade. Foi ele enterrado no jardim, em frente ao Pavilhão Administrativo do Sanatório "Bom Retiro", no bairro Pílarzinho, em Curitiba. Sobre o túmulo uma simples pedra, onde fora colocada uma placa de bronze, com uma inscrição de seu nome e datas de nascimento e desencarne.

Tempos depois, a Federação Espírita do Paraná, que tantos benefícios recebeu de Artur Lins, inclusive por testamento, prestou-lhe uma homenagem, dando ao educandário edificado pela Federação o nome memorável de "Instituto Lins de Vasconcelos". Homenagem essa aplaudida por todos os espíritas e amigos desse
inolvidável ser, que trouxe para a Terra, como bem o disse Chico Xavier, a união entre todas as criaturas voltadas para Deus, nosso Pai Criador.

Seu nome de nascimento: Artur Lins de Vasconcelos Lopes, mas, para muitos: Banqueiro dos Pobres.

Continuou esse espírito transmitindo muitas mensagens mediúnicas, através de Francisco Cândido Xavier.


Bibliografia:

1. Grandes Espíritas do Brasil, ZeusWantuil Ed. FEB, 1 ed., 1969.
2. Reformador, Ed. FEB edições de 1969 1975 .
Extraído do Jornal “O Seareiro”, Ano 9, n.º 80 – Julho/2008

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