sábado, 24 de abril de 2010

Jean-Baptiste Roustaing

Era filho de François Roustaing, negociante, e de sua esposa, Margueritte Robert. Teve mais três irmãos: Joseph, Alfred e Jeanne.

Concluiu os estudos iniciais no Liceu da Cidade em Bordeaux, tendo seguido para Toulouse para cursar Direito. Esgotados os recursos da família, lecionou literatura, ciências, filosofia e matemáticas especiais, a princípio em Toulon, onde residiu de 1823 a 1826.

Conseguiu, desse modo, o diploma em Direito. Estagiou em Paris, de 1826 a 1829, vindo a ingressar na advocacia, acredita-se em 1830.

Fixou-se anos mais tarde em Bordeaux, sua terra natal, vindo a inscrever-se na Ordem dos Advogados de Bordeaux em 1847, sendo eleito bastonário daquela instituição para o ano judiciário de 1848-1849 e secretário do conselho para o ano de 1852-1853. Em 1855 deixou as funções administrativas da Ordem.


Desposou a viúva Elisabeth Roustaing, sua prima, em 1850.

Contacto com o Espiritismo

Roustaing esteve afastado da advocacia, por motivo de doença, de 1858 a 1861. Neste período travou contacto com o fenómeno das mesas girantes e das comunicações com os espíritos, estudados à época por Allan Kardec, que publica O Livro dos Espíritos (1857) e O Livro dos Médiuns (1861). Como Kardec, também mostrou cepticismo, como recorda:

"Minha primeira impressão foi a de incredulidade devida à ignorância, mas eu bem sabia que uma impressão não é uma opinião e não pode servir de base ao julgamento; que, para isso, é necessário, antes de tudo, nos coloquemos em situação de falar com pleno conhecimento de causa.

(…) Sabia e sei ainda ser ato de insensatez aprovar ou repudiar, afirmar ou negar o que se não conhece em absoluto, ou o que se não conhece bastante, o que se não examinou suficientemente e aprofundou sob o duplo ponto de vista teórico e experimental, na medida das faculdades próprias, sem prevenções, sem idéias preconcebidas." (in: Os Quatro Evangelhos (5ª ed., vol. I). Rio de Janeiro: FEB, 1971. p. 58.)

Leu "O Livro dos Espíritos", onde encontrou:

"(…) uma moral pura, uma doutrina racional, de harmonia com o espírito e progresso dos tempos modernos, consoladora para a razão humana; a explicação lógica e transcendente da lei divina ou natural, das leis de adoração, de trabalho, de reprodução, de destruição, de sociedade, de progresso, de igualdade, de liberdade, de justiça, de amor e de caridade, do aperfeiçoamento moral, dos sofrimentos e gozos futuros." (op cit., p. 58.)

No sentido de conhecer os fenómenos, aproximou-se do grupo familiar de Émile A. Sabò, em Junho de 1861, onde, seis meses mais tarde, iria conhecer o casal Emilie e Charles Collignon. Emilie Collignon seria a médium que viria a psicografar a obra Os Quatro Evangelhos.

Deste período, Roustaing registrou, em carta a Kardec:

"Depois de ter estudado e compreendido, eu conhecia o mundo invisível como conhece Paris quem a estudou sobre o mapa. Pela experiência, trabalho e observação continuada, conheci o mundo invisível e seus habitantes como quem a percorreu, mas sem ter ainda penetrado em todos os recantos desta vasta capital. Não obstante, desde o começo do mês de abril, graças ao conhecimento que me proporcionastes, do excelente sr. Sabò e de sua família patriarcal, todos bons e verdadeiros espíritas, pude trabalhar e trabalhei constantemente todos os dias com eles ou em minha casa, e na presença e com o concurso de adeptos de nossa cidade, que estão convictos da verdade do Espiritismo, embora nem todos sejam ainda, de fato e praticamente, espiritas" (Carta de Roustaing a Kardec. Revista Espírita, Junho de 1861)

Referências de Allan Kardec

Em sua Revista Espírita de junho de 1866, Allan Kardec assim se refere à obra do Sr. Roustaing:

"É um trabalho considerável e que tem, para os espíritas, o mérito de não estar, em nenhum ponto, em contradição com a doutrina ensinada em O Livro dos Espíritos e em O Livro dos Médiuns. As partes correspondentes às que tratamos em O Evangelho segundo o Espiritismo o são em sentido análogo."

A formação da FEB e o Espiritismo no Brasil

Alguns autores defendem a tese de que seguidores de Roustaing foram fundamentais na formação da Federação Espírita Brasileira e em como o Espiritismo se estruturou no Brasil. É atribuído por eles a Roustaing a deturpação da obra de Allan Kardec e a mistificação da codificação espírita no país, evento que contribuiu para a fundação da religião espírita por Bezerra de Menezes.

Este embate de pureza doutrinária é antigo e existe desde a fundação da FEB e recentemente tomou vias judiciais com espíritas entrando na justiça contra a reforma estatutária da FEB. Setores Anti-Roustang do Movimento Espírita Brasileiro tentam há anos abolir a bibliografia do autor da entidade.

Os defensores da pureza doutrinária no meio espírita alegam que as obras do autor não foram aferidas pela Metodologia Espírita e, portanto, não tem nenhum valor além de opinião pessoal dos Espíritos que as ditaram.

Curiosidades

A elaboração da obra estendeu-se de dezembro de 1861 a maio de 1865 (3 anos e 5 meses). O lançamento foi nos dias 5 de abril (2 volumes) e 5 de maio (último volume) de 1866, conforme anúncios feitos por Auguste Bez em L'Union Spirite Bordelaise. Ignora-se quantos exemplares foram então impressos.

A sua obra foi traduzida no Brasil, para a língua portuguesa por Guillon Ribeiro.

Referências

1. Émile A. Sabò, era contador e chefe da contabilidade da Companhia Estradas de Ferro do Sul. Foi o fundador da "Société Spirite de Bordeaux" (1861) e do jornal "La Ruche Spirite Bordelaise" (1863). Em 1865, afastou-se Sociedade e do jornal para assumir, em Paris, o cargo de secretário particular de Kardec (in: "La Ruche Spirite Bordelaise", maio de 1865)

2.
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/gebm/roustaing-inimigo.html

3. http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/pdf/st8/Amorim,%20Pedro%20Paulo.pdf

4. Opinião Ano Xviii. Página visitada em 2 de Abril de 2010

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