sábado, 24 de abril de 2010

Henry Slade

É possível que actualmente algumas pessoas mais jovens ignorem o que seja uma ardósia. Deve haver muita gente que jamais viu este objecto.

Trata-se de uma pequena lousa feita de uma lâmina de pedra negra (xisto argiloso, metamórfico, de granulação finíssima), cujo nome é mesmo ardósia. A lâmina de pedra é enquadrada por um caixilho de madeira. Antigamente as crianças aprendiam a escrever e fazer contas nas ardósias (este era o nome comum dessas lousas).

Para se escrever na ardósia, usava-se um lápis feito do mesmo material, porém um pouco mais macio. A escrita aparecia com caracteres brancos e podia ser facilmente apagada. As ardósias substituíam, em grande parte, os cadernos de papel, usados actualmente nas escolas.

O médium e médico americano, doutor Henry Slade, de que nos iremos ocupar, caracterizava-se por usar habitualmente a ardósia para obter as mensagens dos espíritos. A escrita era directa e conseguida de uma forma original. Pegava-se em duas ardósias colocadas juntas, face a face. Os caixilhos de madeira propiciavam um espaço livre entre as faces das lâminas de pedra, dentro da qual se introduzia um pequeno pedaço de lápis de ardósia. As duas lousas assim juntas eram levadas, seguras por uma das mãos do médium, sob o tampo de uma mesa. Logo a seguir, podia ouvir-se o ruído do pedaço do lápis sendo atritado sobre as lousas. Cessado o ruído, as lousas eram retiradas. Ao abrir-se as duas ardósias, geralmente encontrava-se mensagens escritas directamente pelos espíritos.

Henry Slade não era o único médium a usar este processo para obter a escrita directa; porém, ele tornou-se conhecido pela frequência com que lançava mão das lousas de ardósia nas suas demonstrações de mediunismo. Em muitas destas sessões, Henry Slade foi testado através da escrita em ardósia. Durante uma dessas vezes, ele sofreu graves consequências relativas à sua reputação como médium.

Sessões em Londres








Em fins do século XIX, um espiritualista da Filadélfia, EUA, de nome Henry Seybert, deixou um legado de 60 mil dólares à Universidade de Pensilvânia. De acordo com o testamento, este dinheiro destinava-se à manutenção de uma cátedra na dita universidade, a ser conhecida como Cátedra de Filosofia Moral e Intelectual Adam Seybert. O responsável pela cadeira deveria, ou individualmente ou em conjunto com uma comissão da própria universidade, fazer uma completa e imparcial investi-gação de todos os sistemas de moral, religião ou filosofia que admitem representar a verdade, e particularmente do moderno espiritualismo. (Fodor, N. «Encyclopaedia of Psychic Science», New York: University Books, 1974, p. 31).

Em Março de 1884, formou-se uma comissão, obedecendo à vontade expressa do testador. O testamenteiro era Thomas R. Hazard, amigo pessoal de Henry Seybert. A referida comissão tomou o nome de Seybert Commission e estava predestinada a tornar-se famosa, como iremos ver.

Até 1887 a comissão não havia encontrado nada de verdadeiro no campo dos fenómenos espiritualistas. Os seus relatórios preliminares foram inteiramente negativos. Daí em diante, não foi publicado nenhum estudo conclusivo e nem as investigações foram reencetadas. As poucas vezes que a comissão procurou investigar os fenómenos espiritualistas, ela fê-lo de maneira totalmente contrária à orientação testamentária.

Thomas R. Hazard recebera instruções de Henry Seybert no sentido de conduzir correctamente as pesquisas. O testamenteiro deveria designar os médiuns a serem consultados e rejeitar a assistência de pessoas cuja presença pudesse perturbar a harmonia e a boa ordem dos círculos espiritualistas. (Opus cit. P. 342).

Quem tem alguma experiência no trato com os sensitivos sabe perfeitamente a importância desta condição. O verdadeiro médium sofre intensamente a acção inibida dos pensamentos e da disposição hostil de uma assistência mal intencionada.

Pelo que se deduz das actividades da Seybert Commission, descritas nos seus relatórios, os seus investigadores achavam-se inteiramente despreparados para semelhantes investigações. Ao contrário do que faria um legítimo pesquisador, partiam de preconceitos rigidamente estabelecidos. Para eles, todos os fenómenos espiritualistas eram pura fraude que, mais cedo ou mais tarde, acabaria por ser descoberta. Ao encetarem uma investigação, esqueciam-se de observar, registar e medir cuidadosamente os factos e as circunstâncias que rodeavam os fenómenos. Não procuravam fazer variar um a um os possíveis factores causais, para observarem as correspondentes alterações nos eventos. Entravam em cena, atabalhoadamente, como crianças que brincam às escondidas: ao sinal de «Pronto», saem a correr e vasculham aleatoriamente todos os recantos, em busca do objecto escondido. O objecto visado era sempre o desmascaramento dos médiuns e a desmistificação dos seus adeptos. Tinham de encontrá-lo a qualquer custo, ainda que fosse necessário inventá-lo. Era uma autêntica caça às bruxas.

Slade cai nas malhas da comissão


Diante das declarações de Slade, a comissão incumbiu o prof. Fullerton da tarefa de ir à Alemanha para entrevistar os colegas do prof. Zoellner, visando obter deles declarações que pudessem desacreditar as suas conclusões favoráveis a Slade. Era a caça às bruxas. Todo o expediente, por mais vil e desonesto que fosse, estaria justificado pelos fins que se pretendia atingir.

Em 1886, Fullerton entrevistou Wundt, Fechner e Scheibner, professores da Universidade de Leipzig e Weber da Universidade de Goettingen. Com excepção do prof. Weber, os demais professores foram habilmente levados a concordar que as condições mentais de Zoellner não eram normais.

Ao mesmo tempo, Fullerton estabeleceu, através de testemunhas cruzadas, que Fechner estava parcialmente cego; que Scheibner também sofria da vista e tinha dúvidas quanto ao seu próprio julgamento relativo aos fenómenos. Quanto a Weber, este estava em idade avançada e não sabia das deficiências dos seus companheiros.

Depois destas patifarias, é desnecessário dizer que o relatório da Seybert Commission foi recebido com indignação pelos espiritualistas.

A reacção contra a comissão e a morte de Zoellner
O testamenteiro, Thomas R. Hazard, foi o primeiro a protestar contra a falta de ética da Seybert Commission e contra os sórdidos métodos por ela empregados, em total desacordo com a intenção do testamento.

Seguiu-se-lhe A. B. Richmond, membro do tribunal de Pensilvânia, que escreveu dois livros criticando a comissão. Logo após, Podmore, através de um artigo publicado no «Modern Spiritualism», denunciou a Seybert Commission como delapidadora dos fundos legados por Seybert, bem como por divergir da orientação testamentária concernente aos objectivos a serem seguidos por ela.

Na Alemanha também houve reacção. O barão Hellenbach, num artigo publicado em «Nascimento e Morte», descreveu a sua decepção e amargura diante da atitude dos colegas de Zoellner. Entretanto, Zoellner manteve-se na posse do seu intelecto, até aos seus últimos momentos, disse ele.

Numa carta datada de 7 de Novembro de 1903 e enviada ao doutor Isaac Funk, editor e investigador psíquico em Nova Iorque, em resposta à sua indagação acerca de Zoellner, o doutor Karl Bucher, Magnífico Reitor da Universidade de Leipzig, afirmou que a informação recebida dos colegas de Zoellner estabelece que, durante todos os seus estudos, aqui na Universidade, até à sua morte, ele se manteve mentalmente sadio; mais ainda: em perfeita saúde.

A causa da sua morte foi uma hemorragia cerebral, na manhã do dia 26 de Abril de 1882, quando tomava o pequeno-almoço com a sua mãe, em razão da qual veio a falecer logo após.

Zoellner nasceu em 1834. Faleceu, portanto, com 48 anos de idade, razoavelmente jovem ainda. Quando iniciou as suas experiências com Slade, em 1877, estava com 43 anos.

É bem provável que as declarações atribuídas aos colegas de Zoellner tenham sido ou forjadas ou maliciosamente induzidas por Fullerton, à custa de intrigas bem urdidas por este. Verifica-se esta possibilidade devido à mútua desmoralização atribuída àqueles professores.

Henry Slade terminou os seus dias de vida como alcoólico, inteiramente despojado das suas faculdades mediúnicas. Faleceu em dolorosa decrepitude física e mental, no sanatório Michigan, em 1905. A vida tumultuada de Slade encerra uma grande lição e uma advertência aos médiuns invigilantes.


Referência: «Revista de Espiritismo» nr. 41, Outubro/Dezembro 1998
Parece que o interesse da Seybert Commission em desmascarar o médium Slade foi suscitado por um artigo de J. W. Truesdell, publicado no «Botton Facts of Spiritualism», Nova Iorque, 1883. Neste artigo, Truesdell alegava haver apanhado Slade em fraude. A história narra um "incidente humorístico" que ter-se-ia dado durante uma das sessões de Slade. Truesdell conta que descobrira uma lousa com uma mensagem já preparada, na sala de reunião. Subrepticiamente, acrescentou outra mensagem de sua lavra: "Henry, cuidado com este fulano; ele está de olho em si — Alcinda." Mais tarde, quando a mensagem adulterada foi revelada, Truesdell divertiu-se ao notar o desapontamento do médium.

Em 1885, o médium foi submetido à investigação da Seybert Commission, em Filadélfia.

A carreira de Slade foi sempre muito acidentada. Como todo o sensitivo de alta potencialidade, sempre sofreu os percalços da fama e do descuido relativamente às condições da sua faculdade. Dificilmente um médium mantém constante o nível de sua produção. Toda a mediunidade apresenta flutuações e, quase sempre, entra em declínio no fim da vida. Embora existam, raros são aqueles que conseguem manter o equilíbrio durante toda a existência. Particularmente, os médiuns de efeitos físicos são os mais vulneráveis. O declínio das suas faculdades paranormais muitas vezes arrasta-os à fraude, num desesperado esforço para manter o seu prestígio e satisfazer as exigências do daninho cortejo humano que se cria ao seu redor. Por fim, acabam caindo numa ou noutra armadilha preparada por inimigos gratuitos.

Na sua queda arrastam também aqueles que os investigaram seriamente quando ainda produziam fenómenos autênticos, deitando por terra todo um labor penoso de pesquisas pacientes e criteriosas, arruinando a reputação de sábios honestíssimos. Com isto, retardam desastradamente o avanço da ciência.

Provavelmente, quando a Seybert Commission o apanhou, Slade já devia estar a notar o declínio da sua mediunidade. Rodeado por investigadores hostis e exigentes, ele poderia ter cometido alguma falha ou, o que é mais plausível, terse-ia envolvido nas teias de uma cilada ardilosamente preparada.

O resultado foi um relatório inteiramente negativo por parte da comissão. As suas declarações à comissão incluíram as sessões que ele tivera com o prof. Zoellner.

Zoellner também nas garras
Em Dezembro de 1877, o dr. Johan Karl Friedrich Zoellner (1834-1882), professor de Física e Astronomia da Universidade de Leipzig, fez uma série de experiências com o médium Henry Slade.

Além de Zoellner, assistiram a essas experiências vários cientistas de renome na Alemanha: dr. Wilheim Edward Weber, prof. de Física; dr. W. Scheibner, prof. de Matemática; dr. Gustav Friedrich Fechner, filósofo e prof. de Física.

Slade ficou hospedado em casa de um dos amigos do prof. Zoellner, o barão Von Hoffmann. A maior parte das experiências foram feitas nessa residência.

Dia 17 de Dezembro de 1877, pela manhã, Zoellner, seus colegas acima mencionados e mais outras pessoas presenciaram os primeiros fenómenos provocados por Slade.

O prof. Zoellner e o prof. W. Weber haviam preparado quatro cordas cujas respectivas duas pontas foram solidamente atadas uma à outra. Escolhida uma dessas quatro cordas, ela foi presa pelo nó à beirada de uma mesa, com lacre fundido e marcado por sinete, no mesmo local. O prof. Zoellner sentou-se frente à corda presa, tendo o restante da mesma caído sobre o seu colo. As mãos de Zoellner apoiavam-se espalmadas sobre a beirada da mesa, tendo os seus polegares colocados lado a lado do nó lacrado.

Slade sentou-se noutra cadeira próxima ao prof. Zoellner, apoiando também as mãos sobre a mesa. Num dado instante, à vista de todos e à plena luz do dia, pois era de manhã, surgiram quatro nós no corpo da corda! Durante o evento, o médium parecia alheio ao ambiente, como que distraído, e não tocou nem uma única vez na corda.

Zoellner propôs duas hipóteses para explicar os nós dados na corda sem pontas livres. A primeira seria a transposição da matéria através da própria matéria, graças a uma rápida desmaterialização das fibras, em determinados pontos da corda, seguida da sua rematerialização. Seres invisíveis que fossem capazes de fazer isso, poderiam realizar os nós, dentro do nosso espaço físico.

A segunda hipótese seria admitir-se a existência de uma quarta dimensão situada num espaço contíguo ao nosso. Neste espaço operariam seres, também com propriedades tetradimensionais. Tais seres seriam capazes de efectuar movimentos de objectos ao longo das quatro dimensões.

Nesta segunda hipótese, os nós poderiam ser executados por tais seres, sem necessidade de desmaterializar a corda em qualquer ponto. Bastar-lhes-ia puxar um trecho da corda para a quarta dimensão, dar-lhe um certo número de laçadas e retorná-lo para o nosso espaço físico novamente. Esta hipótese foi confirmada em 8 de Maio de 1878, quando Zoellner fez a mesma experiência com correias de couro cujas pontas foram também atadas e lacradas. Os nós surgiram nas correias; porém, estas mostraram-se torcidas após a realização dos nós. Isto significa que não houve transposição de matéria e sim torção das tiras de couro, devido provavelmente às laçadas efectuadas numa quarta dimensão, por seres incorpóreos.

Zoellner obteve duas argolas de madeira, prendeu-as a um grosso fio de «categute» cujas pontas foram atadas e lacradas. Slade colocou as suas mãos espalmadas sobre o tampo da mesa, tendo dependurada nos seus pulsos a tira de «categute» com as duas argolas de madeira. Passados alguns instantes, sentiu-se um cheiro de substância queimada, e as duas argolas desapareceram do fio de «categute», indo alojar-se enfiadas na haste central duma mesinha circular. O tampo e o tripé de base desta pequena mesa mantinham-se solidamente fixos na haste central onde as argolas foram enfiadas, não se sabe como! Esta experiência foi feita de dia, à luz clara, sob as vistas de todos os assistentes. As argolas estavam perfeitas.

Uma outra pequena mesa desapareceu por seis minutos, à luz do dia, estando o médium sob absoluto controlo. O móvel reapareceu em pleno ar, caindo sobre outra mesa. Na ocasião a mesinha passou de raspão sobre a cabeça de Zoellner, batendo-lhe com o tampo e ocasionando-lhe uma dor que durou mais de quatro horas.

Moedas colocadas em caixas fechadas e lacradas saíram do seu interior, atravessando o tampo duma mesa, para cair sobre uma lousa colocada sob o móvel, ao mesmo tempo em que era escrita uma mensagem na ardósia.

Para todas estas experiências, Zoellner teve como explicação a existência duma quarta dimensão de espaço, bem como a actuação de seres capazes de se locomoverem e actuarem ao longo duma transaltura. (Zoellner, J. K. F. — «Provas Científicas da Sobreviência», São Paulo: Edicel, 1966).

A Seybert Commission
Antes que Lankester entrasse com a segunda acção contra Slade, este, desgostoso, abandonou a Inglaterra. A sua saúde estava seriamente abalada. Seguiu para Praga.

Mais tarde, escreveu, de lá, a Lankestre, oferecendo-se para ser por ele submetido a provas rigorosas. A proposta de Slade isentava Lankester de qualquer obrigação de uma retratação pública, caso verificasse a legitimidade das suas faculdades paranormais.

O prof. Ray Lankester nunca respondeu à carta de Slade...

Zoellner estuda Slade
Em 1 de Outubro de 1876, o caso de Slade foi o julgamento da "Bow Street Police Court". Os acusadores arrolaram como testemunhas pessoas que não puderam ser aceites por se acharem irregulares. Entre estas últimas incluía-se um membro da Royal Society, dr. V. B. Carpenter.

Por fim, um apenas estava em condições de ser credenciado a depor: R. M. Hutton. Por incrível que pareça, esta testemunha até depôs a favor do acusado!

Para a defesa, o juiz só admitiu o depoimento de quatro testemunhas de entre as inúmeras que se apresentaram. Entre os escolhidos pelo magistrado, figuravam o prof. Alfred Russel Wallace, Sergeant E. W. Cox, o dr. George Wyld e mais um outro. Todos eles, naturalmente, depuseram favoravelmente a Henry Slade, declarando-se convencidos da legitimidade das faculdades deste médium. O próprio juiz considerou que os depoimentos contra a acusação eram esmagadores. Entretanto, achou de seu dever condenar o acusado pelo "crime de tentar alterar o curso das conhecidas leis da natureza". Baseado nos depoimentos de Lankester e de Donkin, condenou Slade a três meses de prisão com trabalhos forçados! Slade apelou da sentença e obteve a sua anulação.

Lankester tentou novo processo, "no interesse da ciência", segundo ele.

Slade deixa a Inglaterra
A questão das ardósias não ficou nisso. Lankester sentiu-se lesado na sua boa-fé e no seu bolso; imediatamente moveu uma acção judicial contra Slade: além do processo, publicou um relatório no «The Times», em 16 de Setembro daquele ano. A acção judicial proposta alegava que o médium estava a obter dinheiro à custa de simulações. O interessante é que Lankester foi assistir às sessões por duas vezes. Se houvera desconfiado na primeira, por que tornou a gastar mais uma libra para ser novamente ludibriado?

Formou-se, em torno do caso, um debate. Surgiram pessoas a favor e contra Slade. O próprio médium defendeu-se alegando que as lousas foram arrancadas das suas mãos quando a mensagem já estava a ser escrita. Ele ouvira o ruído e procurara alertar os assistentes, mas as suas palavras não foram entendidas devido à confusão estabelecida dali em diante.

O julgamento de Slade
Em Setembro do mesmo ano de 1876, o professor E. Ray Lankester, membro da British Association for the Advancement of Science, juntamente com o dr. Donkin, resolveu desmascarar o decantado agente paranormal.

Naquela ocasião, cobrava-se o ingresso para assistir a uma sessão mediúnica. Lankester e o seu companheiro, dr. Donkin, pagaram uma libra cada um — era este o preço do ingresso.

Na primeira sessão limitaram-se a presenciar os factos. O ponto fraco, pensaram eles, devia estar no fenómeno das lousas de ardósia. Era ali que poderiam descobrir-se a má-fé, a trapaça do médium. Voltaram uma segunda vez. A sessão desenrolava-se na sua forma habitual, mas quando o médium recebeu nas suas mãos as lousas fechadas e lacradas, o prof. Lankester subitamente arrebatou-as das mãos de Slade, antes que ele tivesse iniciado a operação habitual para obter a escrita directa, colocando-as sobre a mesa.

Estabeleceu-se um tumulto. A sessão foi logo interrompida. As ardósias foram abertas e... lá encontrou-se uma mensagem já escrita!

Para Lankester e Donkin ali estava a prova da fraude! Aquele facto foi o quanto bastou para pôr em dúvida a validade dos diversos outros fenómenos testemunhados por todos os demais observadores.

Lankester move uma acção contra Slade
Em 1876, Slade estava no auge da fama. De passagem por Inglaterra, onde chegou dia 13 de Julho daquele ano, deu várias sessões em Londres. É preciso esclarecer que as suas faculdades não se limitavam apenas à obtenção da escrita directa em ardósias, conforme explicámos antes.

Nesta ocasião, as lousas, além de sobrepostas, eram previamente seladas e lacradas, a fim de atender às crescentes exigências dos observadores cépticos. E a escrita surgia, assim mesmo. As mensagens nas lousas constituíam pequena parte do seu repertório.

Slade, além disso, produzia materializações parciais, movimentos de mesas, ouviam-se fortes pancadas nas mesmas e em outros lugares dos cómodos (fenómeno de troibismo). O próprio médium era levitado à vista de todos. Mãos invisíveis tocavam instrumentos musicais.

Finalmente, provocava fenómenos de "apport", em que ocorria aparente transposição de objectos materiais através de obstáculos de matéria sólida.

Em 30 de Agosto de 1876, um repórter do «The World» deu o seu depoimento, num longo artigo. Ele descrevia uma sessão privada e a plena luz, que tivera com Slade, declarando-se embaraçado e perplexo por não saber como explicar os fenómenos presenciados e por ele descritos.

Não era apenas o repórter do «The World» que se confessava aturdido pelos factos testemunhados na presença de Slade. Cientistas de renome como «lord» Rayleigh, Alfred Russel Wallace e Frank Podmore também se renderam à evidência dos fenómenos desencadeados graças às faculdades do famoso médium.

O episódio das lousas

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