sábado, 24 de abril de 2010

Faure da Rosa

José Augusto Faure da Rosa, Coronel, nasceu em Leiria em 16 de Novembro de 1873. Tendo frequentado a Escola do Exército, abraçou a carreira militar, sendo promovido a tenente em 1897.

Serviu a Pátria na Metrópole e no Ultramar, desde Angola até Timor, envergando sempre a "farda Imaculada dos que cumpriram o juramento de soldado, quando a vestiram pela primeira vez". A par das actividades militares, foi professor do liceu, primeiro em Leiria e, depois, em Lisboa, sempre sobrecarregado de afazeres porquanto, para além daqueles, oficiais, que assumira, tinha ainda os outros sobre os quais se debruçava com prazer: escrever. Assim, dedicou-se ao jornalismo e ao teatro, traduzindo do inglês, de colaboração com Henrique Garland, duas peças de teatro (Bébé e Tótó, e A Doença da Mamã).

Já com 5 filhos, embarca, então, para a Índia, na ideia de aumentar os recursos económicos, e ali fica, prestando relevantes serviços, durante 18 anos, e desempenhando cargos que foram o de Governador de Damão, Chefe do Estado Maior do Quartel General do Governo Geral da Índia, Administrador das matas de Goa, de Praganã e Nagar-Aveli, e, neste último território, Comandante Militar e Administrador Civil, actividades sempre exercidas com competência, excepcional zelo e espírito empreendedor.

Em 1912 participa da campanha de Timor, comandando a coluna de operações do Oeste. À sua acção nesta campanha se refere, mais tarde, o Comandante Geral Filomeno da Câmara, em termos elogiosos no seu 'Relatório', referindo que, contrariando o estipulado superiormente, Faure da Rosa recusou-se a separar, entre os prisioneiros, as mulheres e os filhos dos respectivos chefes de família, demonstrando assim o seu alto espírito humanitário. Em 1920 termina a sua carreira no Estado da Índia, regressando ao Continente para, em 1922 partir de novo, desta vez para Moçambique, sendo nomeado Secretário Geral do Governo de Manica e Sofala, na Beira, de onde regressa em 1925.

Possuía as medalhas de prata de Valor Militar (com Palma), de ouro, de Comportamento Exemplar e outra, da Campanha de Timor. Era Grande Oficial da Ordem Militar de Aviz. Aqueles que o conheciam afirmavam que "mais depressa o sol se desviaria do seu curso do que ele do caminho da honra". Sempre sorridente, não demonstrava, no trato com cada um, os problemas que, por vezes, lhe envolviam o coração amargurado. Em 1927, então com cinquenta e quatro anos, assiste ao desencarne da filha mais nova, Noémia, de vinte e poucos anos. O desespero de ver partir aquele ente querido, mais as imagens que a filha descreve, antes do desencarne, vendo o que mais ninguém lobriga, levam-no a pôr de parte todas as ideias cooperativistas, debruçando-se sobre o estudo da Doutrina Espírita, que não mais abandona.

Dá a sua colaboração à Federação Espírita Portuguesa desempenhando, por diversas vezes, o cargo de Presidente de Direcção, dirige a 'Revista de Espiritismo', 'Revista de Metapsicologia' e 'O Mensageiro Espirita', todas da F.E.P.; colabora com artigos que escreve e são publicados em todas as revistas espíritas portuguesas editadas na época, inclusivé na 'Luz e Caridade', de Braga; 'Além', do Porto; 'Estudos Psíquicos', de Lisboa, entre várias outras, e faz palestras, não só nas instalações da Federação como em qualquer outro local onde o convidem para falar, com palavras que "lançaram muita luz e esclareceram muitas almas".

Rebatendo o conferencista belga, Pierre Goemaére, que levianamente atacou o Espiritismo, numa palestra no cinema S. Luiz, fez uma conferência no cinema 'Condes', que redundou em apoteose, com a sala completamente cheia dos mais ilustres nomes da época, onde se viam advogados, médicos, engenheiros, comerciantes, industriais, artistas, etc., enquanto ele falava "Em Defesa do Espiritismo"
.

Desloca-se por diversas vezes ao Porto, para falar na 'Sociedade Portuense de Investigações Psíquicas'. . Em S. Paulo, existe uma rua com o seu nome no distrito de Jabaquara, criada com o seguinte histórico: "Faure da Rosa foi escritor modernista da segunda geração.

O Coronel José Augusto Faure da Rosa (1879-1950) nasceu em Leiria Portugal, desencarnando em Lisboa Portugal. Foi Chefe do Estado Maior do Quartel General do Governo Geral da Índia Portuguesa, tendo comédias encenadas no Teatro Português. Tornou-se espírita e foi Presidente da Federação Espírita Portuguesa. Dirigiu e colaborou em Revistas espíritas, escrevendo livros espiritistas".


Observamos aqui um erro, no ano do nascimento, aqui referido como '1879', quando seu filho informa ter sido em '1873'. Desencarnou em 8 de Novembro de 1950.

Publicações:


(1) - Revista espiritualista portuguesa 'Fraternidade', da Associação de Beneficência Fraternidade;

(2) - Informação de Maria Henriqueta V. S. de Souza Magalhães, sua "sobrinha adoptiva";
(3) - Revista espiritualista portuguesa 'Fraternidade', da A.B.F.: entrevista concedida por seu filho á Revista, para falar sobre seu Pai;
(4) - Revista portuguesa 'Estudos Psíquicos', Novembro de 1960; (5) - Anuário Espírita Brasileiro da IDE, ano de 2005, página 249.

Fonte: - Alguns Vultos do Movimento Espírita Português de Manuela Vasconcelos

Nenhum comentário:

Postar um comentário