sábado, 24 de abril de 2010

Claudino Dias

Nasceu em Coimbra, Portugal, no dia 05 de novembro de 1860.

No último quartel do século passado, era um verdadeiro arrojo as pessoas se declararem espíritas, principalmente nas cidades do interior, onde prevalecia a intolerância religiosa.

Na cidade de Barra do Piraí, um cidadão português de nome Claudino Dias professava o protestantismo com grande dedicação. Entretanto, ao ouvir freqüentemente os pastores de sua igreja atacarem o Espiritismo, uma idéia nova que havia surgido na cidade, ele interessou-se pelo estudo dessa doutrina, animado do propósito de também combater essa religião que os seus pastores apregoavam ser herética.

Após alguns estudos, notou, no entanto, que os ensinamentos do Espiritismo preenchiam a ânsia de conhecimento do seu espírito e satisfaziam velhas indagações que pululavam em seu intelecto. Desta forma, em vez de se tornar um detrator do Espiritismo, abraçou-o com convicção, aliando-se a Manoel Chaves, um dos poucos espíritas existentes na cidade, estabelecendo, assim, um sistema de estudo sistemático das obras que constituíam a base da Doutrina dos Espíritos. Em 1886, Claudino Dias já era um espírita dos mais convictos.

Junto com outros companheiros, fundou, na cidade de Barra do Piraí, o Grupo Espírita São João, que posteriormente passou a ser Grêmio Espírita de Beneficência.

Dessa Instituição surgiram os primeiros focos de divulgação do Espiritismo, os quais, graças ao dinamismo e operosidade de Claudino Dias, logo se propalaram a outras cidades da vizinhança.

Em 1906, na sede da Casa Espírita, foi fundado o Colégio Ismael, destinado aos filhos dos associados e à criança carente. Em 1908 foi inaugurado o Albergue São João Batista, uma das primeiras instituições espíritas desse gênero, no Brasil.

Por ocasião da gripe espanhola de 1918, que causou inúmeras vítimas, as instalações do Grêmio foram cedidas para o atendimento dos pacientes acometidos por aquela enfermidade.

Em 1920 surgiu o Asilo Santo Agostinho e em 1927 o Hospital de Pronto Socorro, o qual, posteriormente, foi cedido para a Prefeitura da cidade.

Claudino Dias tornou-se, de direito e de fato, um dos mais autênticos desbravadores espíritas da região. Seu nome tornou-se fonte de referência para todos que quisessem falar sobre os seareiros espíritas. Jamais esmoreceu diante das dificuldades, levantando bem alto a bandeira do Espiritismo, fazendo com que a Doutrina se tornasse admirada por todos e que a obra espírita se destacasse como expressão do que pode ser feito onde existe o idealismo e a firme disposição para o trabalho.

Claudino Dias desencarnou em Barra do Piraí - RJ, em 31 de dezembro de 1935.


Fonte : Personagens do Espiritismo, de Antônio de Souza Lucena e Paulo Alves Godoy, Editora FEESP

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